Polícia Federal aponta que Adélio Bispo agiu sozinho mais uma vez

14 de maio de 2020 às 21:35 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 21:52
Adélio Bispo de Oliveira é escoltado por policiais federais em aeroporto de Juiz de Fora
Foto: Ricardo Moraes - 08.set.2018/Reuters

 

A Polícia Federal apontou mais uma vez à Justiça Federal não ter encontrado evidências de que Adélio Bispo atuou em conjunto com outras pessoas ao tramar o atentado a Jair Bolsonaro.

A indicação faz parte de um relatório parcial finalizado na quarta-feira, 13, pela PF e que a CNN teve acesso.

Trata-se do segundo inquérito aberto para apurar o caso. As conclusões foram apresentadas nesta quinta-feira, 14, ao ministro da Justiça, André Mendonça, pelo delegado encarregado do caso, Rodrigo Morais.

A defesa de Bolsonaro foi intimada para apresentar a ele os achados e também consultá-lo sobre se deseja solicitar novas diligências. 

O inquérito só não foi arquivado, porque a Polícia Federal aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal para saber se poderá ou não analisar o telefone celular do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior.

Ele se apresentou para defender Adélio na época, mas não quis revelar quem estava pagando pelos seus serviços. As demais frentes de investigação, porém, esgotaram-se, indica a Polícia Federal no relatório.

Então candidato à presidente pelo PSL, Bolsonaro recebeu uma facada de Adélio no dia 6 setembro de 2018, quando fazia campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Adélio foi preso em flagrante naquele dia e permanece preso desde então. 

Um primeiro inquérito foi aberto para apurar se, no dia do atentado, ele recebera ajuda de alguém. A conclusão foi de que agiu sozinho.

No curso desta primeira investigação, houve diagnóstico de que Adélio sofre de "transtorno delirante persistente" — conclusão que não chegou a ser contestada pela defesa de Bolsonaro.

Um segundo inquérito foi então instaurado em 25 de setembro de 2018 para apurar se outras pessoas atuaram no planejamento da tentativa de assassinato contra Jair Bolsonaro ou chegaram a financiar Adélio. Ao longo de mais de três mil páginas, os investigadores da Polícia Federal de Minas Gerais descrevem uma minuciosa apuração ao longo de quase um ano e oito meses.

Foram ouvidas 89 testemunhas e entrevistadas 102 pessoas em campo para reconstituir a rede de relações e por onde passou Adélio nos últimos dez anos.

Os investigadores entendem que o ato foi premeditado, mas não conseguiram identificar qualquer associação de Adélio com organizações criminosas, familiares, parceiros ou partidos políticos na elaboração do plano.

Nos últimos meses, a PF passou a se dedicar a revisar todas as teorias e “fake news” que cercam o caso para se certificar de que não havia pontas soltas na apuração. Ficou comprovado, segundo os investigadores, que Adélio planejou e agiu de fato sozinho.

As investigações contaram com seis operações de busca e apreensão e 1.200 fotos foram analisadas, além de extratos telefônicos, bancários, emails e outros documentos.