Pandemia atrasa confirmação de embaixador do Brasil nos Estados Unidos

Nestor Forster Jr. foi aprovado em fevereiro pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, mas ainda precisa passar por votação no Plenário

André Spigariol, Da CNN, em Brasília
16 de maio de 2020 às 11:13
Nestor Forster Jr. ainda deve passar por votação no Plenário do Senado para assumir a embaixada brasileira em Washington
Foto: Divulgação/ Itamaraty

Apesar de ter sido aprovado em sabatina na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Nestor Forster Jr. ainda não conseguiu assumir efetivamente o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Até está sábado (16), já se passaram 348 dias desde que Sérgio Amaral deixou o posto, em junho de 2019. Aprovado em fevereiro pela comissão, o nome de Forster ainda não foi votado no Plenário do Senado.

O atraso se explica pela pandemia do novo coronavírus, que levou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) a adotar um sistema de deliberação remota, o chamado plenário virtual, suspendendo o funcionamento de todas as comissões da casa.

“As comissões estão suspensas e as votações secretas no Senado também. Essas votações não foram regulamentadas no decreto das sessões remotas”, explica à CNN o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da comissão.  “Portanto, para o nome de Nestor Forster ir ao Plenário para aprovação, provavelmente teremos que esperar a normalização das sessões plenárias”, acrescenta.

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Enquanto não é referendado pelo voto dos senadores, Forster atua como encarregado de negócios da embaixada do Brasil em Washington. Na ausência de um embaixador, ele é o chefe da missão diplomática.

“Mas isso não é a mesma coisa que um embaixador formalmente acreditado junto ao presidente americano”, esclarece à CNN um embaixador brasileiro, que pediu para não ter o nome revelado. “Um encarregado de negócios normalmente não se reúne com o ministro das relações exteriores ou com o secretário-geral da chancelaria do país onde está atuando”, acrescenta.

Próximo a Olavo de Carvalho, Forster foi indicado ao cargo pelo presidente Jair Bolsonaro apenas em novembro do ano passado, após o Planalto desistir da ideia de nomear o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o posto. Por conta do recesso parlamentar no final do ano, a comissão do Senado só conseguiu realizar a sabatina de Forster em fevereiro de 2020.

Nos bastidores, o diplomata é elogiado por seus pares e apontado como um dos responsáveis pelo “momento especial” nas relações entre Brasil e Estados Unidos no governo de Jair Bolsonaro. Fontes ouvidas pela CNN destacam, ainda, a atuação de Forster junto a deputados e senadores americanos para reativar a diplomacia parlamentar entre os dois países.