Planalto vê retaliação de Marinho por veto a seu nome no Turismo

Fonte afirmou que empresário tenta retaliar o presidente Bolsonaro por ter tido seu nome vetado para o Ministério do Turismo após o segundo turno das eleições

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
18 de maio de 2020 às 09:19 | Atualizado 18 de maio de 2020 às 09:29
O empresário Paulo Marinho: suplente do senador Flávio Bolsonaro, ele afirmou que o filho do presidente Jair Bolsonaro soube antecipadamente de operação da PF que envolvia o ex-assessor Fabrício Queiroz. 
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Uma fonte do Palácio do Planalto muito próxima ao presidente Jair Bolsonaro avaliou na manhã desta segunda-feira a CNN que o empresário Paulo Marinho tenta retaliar o presidente Jair Bolsonaro por ter tido seu nome vetado para o Ministério do Turismo após o segundo turno das eleições de 2018. 

O empresário disse em entrevista a Folha de S.Paulo neste domingo (17) que o senador Flávio Bolsonaro recebeu informação privilegiada da Polícia Federal durante a campanha no sentido de que haveria uma operação contra pessoas do seu gabinete. Era a Furna da Onça, deflagrada em novembro de 2018, e que trouxe à tona um esquema de desvio de recursos em gabinetes da Assembleia Legislativa do Rio, onde Flávio era deputado.

Segundo uma fonte muito próxima ao presidente e que acompanhou a campanha eleitoral de perto, a negativa de Bolsonaro a Marinho no Turismo ocorreu em uma reunião fechada na casa do empresário no Rio de Janeiro, a mesma que serviu de bunker para a reta final da campanha eleitoral e onde ele fazia suas reuniões e gravava programas para o horário eleitoral gratuito. 

Ainda antes do segundo turno das eleições, havia um intenso debate sobre onde se encaixaria o Turismo na Esplanada. O grupo próximo a Bolsonaro se dividiu. Parte defendeu que ficasse com Economia, parte com Esporte e parte com a Casa Civil. Marinho, porém, que se aproximou de Bolsonaro por meio de Gustavo Bebbiano, coordenador da campanha, defendia a manutenção de um Ministério do Turismo forte. Chegou a levar empresários do setor para encontrar o ainda candidato. Caso de Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, e Sonia Chami, presidente do Rio Convention & Visitors Bureau. Ambos levaram a Bolsonaro uma carta em defesa do setor.

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Não foi, porém, o único veto presidencial a um anseio de Marinho. O nome da atriz Maitê Proença, ex-mulher de Marinho, também foi ventilado na imprensa para assumir a Secretaria de Cultura.

Nem Marinho nem Maitê foram escolhidos por Bolsonaro para a Esplanada. O empresário então se afastou da família e reaproximou de João Doria, já eleito governador de São Paulo, e que lhe delegou a missão de estruturar o PSDB no Rio de Janeiro.