Damares diz que atuação do STF é palhaçada e que vai mandar prender governadores


Da CNN, em São Paulo
22 de maio de 2020 às 18:28 | Atualizado 22 de maio de 2020 às 21:16

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse durante o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril que atuação do STF é palhaçada e que vai pedir a prisão de governadores e prefeitos depois da pandemia.

"Neste momento de pandemia a gente tá vendo aí a palhaçada do STF trazer o aborto de novo para a pauta, e lá tava a questão de ... as mulheres que são vítima do zika vírus vão abortar, e agora vem do coronavírus? Será que vão querer liberar que todos que tiveram coronavírus poderão abortar no Brasil? Vão liberar geral?", questiona.

O STF rejeitou, em 1º de maio, uma ação que pedia que a interrupção de gravidez em mulheres infectadas pelo zika vírus não fosse enquadrada no crime de aborto. 

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Ela também fala com o então ministro da Saúde Nelson Teich que a pasta dele estaria "lotada de feministas". "O seu ministério, ministro, tá lotado de feminista que tem uma pauta única que é a liberação de aborto", declara. "Quero te lembrar ministro, que tá chegando agora, este governo é um governo pró-vida, um governo pró-família".

Damares diz que o país vive a "maior violação de direitos humanos da história do Brasil nos últimos trinta anos". "Nós estamos tomando providências. A pandemia vai passar, mas governadores e prefeitos responderão processos e nós vamos pedir inclusive a prisão de governadores e prefeitos", declara.

Ela cita como violação de direitos uma medida que teria sido adotada pelo governador Wellington, provavelmente em alusão a Wellington Dias (PT-PI), que permitiria à Polícia entrar na casa da população sem mandado. Não há registro, até esse momento, de uma ação neste sentido.

"Então, assim, as maiores violações estão acontecendo nesses dias. Então, nós estamos fazendo um enfrentamento, mais de cinco procedimentos o nosso ministério já tomou iniciativa e nós estamos pedindo inclusive a prisão de alguns governadores", completa ela.

Indígenas e a Covid-19

A ministra também diz que foi a Roraima junto do presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio) porque receberam a notícia de que haveria "contaminação criminosa em índios, para dizimar aldeias e povos inteiros e colocar nas costas do presidente Bolsonaro". 

 "Eu tive que ir pra lá com o presidente da Funai e me reuni com generais da região e o superintendente da Polícia Federal, pra gente fazer uma ação ali meio que sigilosa, porque eles precisavam matar mais índio pra dizer que a nossa política não tava dando certo", disse. 

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