Apreender celular de Bolsonaro teria 'consequências imprevisíveis', diz Heleno


Da CNN, em Brasília e São Paulo
22 de maio de 2020 às 15:24 | Atualizado 22 de maio de 2020 às 15:45

O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, disse nesta sexta-feira (22) que uma eventual apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) "poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional". Partidos políticos de oposição pediram ao STF (Supremo Tribunal Federal) busca e apreensão de telefones do presidente.

Em nota oficial "à nação brasileira", Heleno classificou como "inconcebível e, até certo ponto, inacreditável" o pedido dos partidos.

Segundo Heleno, caso o STF acate o pedido, isso seria "uma afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e uma interferência inadmissível de outro Poder, na privacidade do presidente da República e na segurança institucional do País."

"O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República alerta as autoridades constituídas que tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional", diz a nota.

Mais cedo hoje, o ministro Celso de Mello, do STF, pediu uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre três notícias-crime apresentadas no final de abril por políticos e partidos de oposição sobre suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal. Os pedidos foram feitos pela deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) e pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), e pelas bancadas de PDT, PSB E PV.

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O pedido endereçado à PGR foi feito no mesmo dia em que Celso de Mello deve decidir sobre a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, citado na investigação sobre a interferência na PF. A gravação deve ser divulgada praticamente na íntegra, com exceção de trechos com comentários sobre China e Paraguai, apurou o analista da CNN Fernando Molica.

Os partidos também pediram a apreensão dos celulares do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), do ex-ministro da Justiça Sergio Moro e do ex-diretor da PF Maurício Valeixo.

No despacho em que pede a manifestação da PGR, Celso de Mello afirmou que é dever jurídico do Estado promover a apuração da "autoria e da materialidade dos fatos delituosos narrados por 'qualquer pessoa do povo'". 

No mesmo inquérito, o procurador-geral Augusto Aras já afirmou que deputados nao têm competência para interferir e fazer pedidos em investigações que cabem ao MPF (Ministério Público Federal).

Com informações do Estadão Conteúdo