Orleans e Bragança vê aproximação com Centrão como necessária para reformas


Da CNN, em São Paulo
23 de maio de 2020 às 21:58 | Atualizado 24 de maio de 2020 às 08:18

O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) afirma que a aproximação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com partidos do "centrão" se deve por uma questão de "sobrevivência política". O parlamentar afirma que tudo o que o presidente propôs no início de seu governo foi rejeitado pelo Congresso, e por isso, foi preciso ele remodelar suas ideias para conseguir retomar uma agenda de reformas.

“É muito melhor para o presidente da República ter uma base ampla de vários partidos que vá dar sustentabilidade ao governo dele, que vá dar governabilidade e que vá dar base para que ele possa fazer reformas. É muito mais importante para o presidente isso do que ter o seu próprio partido”, analisa o parlamentar, descendente da família imperial que governou o Brasil de 1822 a 1889, quando foi proclamada a República.

Ele aponta ser necessário haver mudanças no sistema político para que se tenha maioria de governabilidade e pauta única. Caso contrário, segundo ele, os pedidos de impeachment de presidentes continuarão recorrentes na política brasileira.

“Você tem o Congresso passando leis e tendo a suas pautas e tem uma agenda do Executivo que, muitas vezes, difere. Então, qual é a pauta de governo? Onde está, de fato, a governabilidade? Quem governa o país? No atual modelo presidencialista, nós não chegamos a esta conclusão. Sempre vai haver conspirações contra quem for o presidente eleito”.

Orleans e Bragança considera que a disputa de pautas entre Executivo e Legislativo atrase as reformas no país. “Ano passado só passamos uma grande reforma e mesmo assim bem tênue, que foi a reforma da Previdência. Na minha opinião, havia outras reformas que deveriam ter sido pautadas e não foi exatamente por estes embates políticos”, explica.

O deputado também avalia que, da maneira como a máquina pública está organizada atualmente, o povo brasileiro não consegue se sentir representado. “Tudo aquilo que a gente imagina que seja um político hoje, cai em desmerecimento na boca do povo e temos que resgatar — digamos aqui, perdoe o uso da palavra — a nobreza de ser um político, essa é a missão de todo bom parlamentar”.

Ele comentouuma possível intervenção. "Não acho que uma intervenção vá gerar bons resultados políticos e econômicos. Espero que as instituições se reformem antes que se chegue à perda da lei e da ordem. Sou otimista com as instituições ainda. Os intervencionistas pecam por objetividade. Ela é só um mecanismo, não só um objetivo. Vamos fazer o que com uma intervenção? Uma renovação no STF? Um poder moderador? É pontual?", questiona.  

Orleans e Bragança comenta ainda a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). "Não cabe ao STF ser o poder moderador. Ele não pode legislar nem executar, e e tem feito as duas coisas, limitando que o Executivo tome uma série de medidas, criado leis que nem foram debatidas no Congresso. Esse tipo de ativismo judicial, sou contra. Agindo como está agindo e tendo violado a constituição várias vezes, está errado".