Moraes manda Weintraub depor à PF sobre falas em reunião ministerial

Na ocasião, entre outras declarações, Weintraub chamou os membros do Supremo de "vagabundos" e defendeu a prisão dos magistrados

Da CNN, em São Paulo
26 de maio de 2020 às 18:08 | Atualizado 26 de maio de 2020 às 21:19

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (26) que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, seja ouvido em até cinco dias pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre suas falas na reunião ministerial de 22 de abril, apurou a âncora da CNN Daniela Lima. Na ocasião, entre outras declarações, Weintraub chamou os membros do Supremo de "vagabundos" e defendeu a prisão dos magistrados.

Na mesma decisão, Moraes também pede que o procurador-geral da República, Augusto Aras, diga se considera necessário acompanhar o depoimento de Weintraub, "bem como para que se manifeste em relação às providências cabíveis para o prosseguimento das investigações".

Na reunião ministerial do dia 22 de abril, Weintraub disse que o governo não estava atingindo os objetivos iniciais e defendeu mandar os ministros do STF para a cadeia.

“Eu acho que é isso que a gente está perdendo, está perdendo mesmo. O povo está querendo ver o que me trouxe até aqui. Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF", disse Weintraub.

Além de ter que prestar esclarecimentos à PF, Weintraub também terá que dar explicações ao Senado, em data ainda não marcada.

Em nota, o ministro disse que ainda não foi notificado oficialmente.

Lideranças de sete partidos na Câmara pediram à Procuradoria-Geral da República (PGR) investigação contra o ministro da Educação, sobre suposto crime de responsabilidade cometido durante a reunião ministerial.

Deputados do Cidadania, PCdoB, PT, PSOL, Rede, PDT, PSB, além dos líderes da Minoria e da Oposição assinaram um pedido que foi protocolado na tarde desta terça-feira, na PGR. Na representação, os parlamentares alegam que no vídeo da reunião, Weintraub e os demais participantes mantiveram postura incompatível com os respectivos cargos públicos que ocupam.

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'Possível crime'

Moraes é o relator da ação no STF que apura se as declarações de Weintraub na reunião podem ser consideradas crimes. Na decisão em que autorizou a divugação do vídeo da reunião ministerial, o ministro Celso de Mello, também do Supremo, disse que há na gravação "descoberta de possível crime contra a honra dos ministros do Supremo".

"Constatei, casualmente, a ocorrência de aparente prática criminosa, que teria sido cometida pelo Ministro da Educação, Abraham Weintraub", escreveu.

O ministro classifica a declaração do ministro como "gravíssima" e afirma que, além de ter "destacado grau de incivilidade e inaceitável grosseria", pode configurar crime contra a honra, como o de injúria.

A decisão do ministro foi no âmbito do Inquérito 4781, que apura fake news e ofensas e ameaças contra os ministros da Corte. 

Com Estadão Conteúdo