Partido de Crivella e filhos de Bolsonaro deixa base de apoio a Witzel no RJ

Republicanos justificou ruptura com base em denúncias de corrupção na Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro

Isabelle Saleme, da CNN, no Rio de Janeiro
28 de maio de 2020 às 19:15
Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, durante coletiva de imprensa
Foto: Carlos Magno/Governo do Estado do Rio (26.mai.2020)

O presidente do Republicanos no Rio de Janeiro, Luis Carlos Gomes, anunciou nesta quinta-feira (28) a saída do partido da base aliada do governador Wilson Witzel (PSC). O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e dois dos filhos do presidente Jair Bolsonaro -- o senador Flávio Bolsonaro e o vereador carioca Carlos Bolsonaro -- são filiados à legenda.

Procurado pela CNN, o governo Witzel -- ex-aliado de Bolsonaro -- não comentou o desembarque do partido.

No início da sessão desta quinta na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), o deputado estadual Danniel Librelon leu a nota oficial emitida pelo partido. No comunicado, a sigla justifica a ruptura em "fortes indícios de corrupção na Secretaria de Saúde do estado do Rio de Janeiro".

O anúncio acontece dois dias depois da Operação Placebo, da Polícia Federal. Na ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no palácio do governo e na residência oficial do governador, a fim de apurar suposta fraude em contratos do estado para o combate à pandemia do novo coronavírus.

Secretário deixa cargo

No mesmo comunicado, o Republicanos diz que o secretário de Trabalho e Renda, Jorge Gonçalves, apresentaria sua carta de renúncia ao governo.

No fim da tarde, o governo fluminense disse à CNN que ainda não havia recebido o pedido de renúncia, mas a reportagem teve acesso à carta de Gonçalves.

No documento, o agora ex-secretário não faz menção às investigações envolvendo Witzel e seu governo, mas disse ter "pesar" em "abandonar qualquer pessoa quando passa por momentos em que mais precisa de apoio e solidariedade".

"Entretanto, o grupo partidário que me indicou para ocupar tal nobre cargo deliberou por deixar a base governista e, por conseguinte, entregar a pasta", diz Gonçalves, que chama Witzel de "fraterno amigo"