'Sinal de algo muito grave com nossa democracia', diz Bolsonaro sobre operação

Polícia Federal cumpriu 29 mandados de busca e apreensão, nesta quarta-feira (27), referentes à investigação sobre notícias falsas conduzida pelo STF

Da CNN, em São Paulo
28 de maio de 2020 às 00:02 | Atualizado 28 de maio de 2020 às 00:03
O Presidente Jair Bolsonaro durante manifestação de apoio ao seu governo em Brasília
Foto: Wagner Pires/Estadão Conteúdo


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta-feira (27), horas após desdobramento da operação da Polícia Federal que apura a disseminação de notícias falsas na internet, que a investigação aponta “sinal que algo de muito grave está acontecendo com a nossa democracia”. Entre os 29 mandados de busca e apreensão, houve diligências nas casas de políticos e empresários aliados ao presidente. 

“Ver cidadãos de bem terem seus lares invadidos, por exercerem seu direito à liberdade de expressão, é um sinal que algo de muito grave está acontecendo com nossa democracia”, disse Bolsonaro por meio do Twitter. 

A operação da PF realizou buscas nas residências de políticos e empresários considerados aliados do presidente, e que teriam atuado nas redes sociais com a disseminação e o impulsionamento de ‘fake news’. 

O inquérito, conduzida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), também apura ameaças a ministros.

Bolsonaro também fez críticas para Alexandre de Moraes, responsável pelo caso, e afirmou que não aceitará 'passivamente' ações contra a 'livre expressão'.

Operação

Nesta quarta-feira (27), a investigação contra fake news entrou em uma nova etapa, executando mandados baseados na atuação digital de parlamentares e empresários simpatizantes do presidente e que teriam agido nas redes sociais contra o Supremo.

Entre os alvos estão seis deputados federais, dois deputados estaduais, o presidente do PTB Roberto Jefferson e empresários, como Edgar Corona, das redes SmartFit e BioRitmo, e Luciano Hang, das lojas Havan.

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A operação desta quarta foi tema de uma reunião de emergência convocada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que reuniu os ministros do governo. 

A reunião também serviria para discutir inclusive se o ministro da Educação, Abraham Weintraub, deve ou não prestar depoimento à Polícia Federal a respeito de suas declarações sobre o STF na reunião ministerial de 22 de abril, apurou o âncora da CNN Daniel Adjuto. Na ocasião, entre outras declarações, Weintraub chamou os membros do Supremo de "vagabundos" e defendeu a prisão dos magistrados.