Comissão de Ética da Presidência proíbe Moro de advogar por seis meses


Estadão Conteúdo
02 de junho de 2020 às 18:01 | Atualizado 02 de junho de 2020 às 18:11
Sergio Moro

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Comissão de Ética da Presidência da República decidiu, nesta terça-feira (2), proibir que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, advogue por um período de seis meses. Ele foi autorizado a dar aulas e escrever artigos para a imprensa. No período em que durar a proibição, Moro seguirá recebendo o salário de R$ 31 mil, pago aos integrantes do primeiro escalão.

Na semana passada, o conselho havia determinado uma quarentena para o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o impedindo de atuar na iniciativa privada por seis meses. No período, o salário de ministro continua sendo pago. Mandetta está recorrendo da decisão e quer atuar em consultoria e palestras. O pedido de reconsideração foi apresentado na reunião da Comissão de Ética hoje, mas houve pedido de vista.

O impedimento de exercer atividades profissionais imposto aos ex-ministros tem como justificativa o fato de eles terem tido informações privilegiadas no governo.

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Tanto Moro quanto Mandetta deixaram o governo rompidos com o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), em abril. Os dois são vistos como adversários políticos, inclusive com chances de entrarem em uma disputa eleitoral em 2022.

Em 24 de abril, o ex-ministro da Justiça pediu demissão e acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal (PF). A acusação virou alvo de um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), que pode implicar o presidente em crime de responsabilidade.

Luiz Henrique Mandetta deixou o governo em 16 de abril, após resistir à interferência do presidente sobre as medidas de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, como o uso amplo da cloroquina, contrariando pesquisas científicas, e o fim do isolamento social.