Líder do PP diz que aproximação do Centrão com Bolsonaro visa 'estabilidade'


Guilherme Venaglia, da CNN em São Paulo
03 de junho de 2020 às 17:54

Um dos parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, o líder do Progressistas (PP), deputado Arthur Lira (AL), defendeu em entrevista exclusiva à CNN a aproximação dos partidos conhecidos como "Centrão" com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"Em primeiro lugar, todo o esforço dos partidos de centro é para que a a gente consiga trazer para o Brasil, para Brasília principalmente, aqui para a Praça dos Três Poderes, tranquilidade, previsibilidade e potencialidade nos trabalhos", afirmou o parlamentar. Reportagem da CNN apurou que, nos bastidores, o deputado está sendo conhecido como "04", em referência à sequência numérica pela qual o presidente Bolsonaro enumera seus filhos.

O deputado Arhur Lira defendeu as indicações que estes partidos estão fazendo para cargos importantes no segundo escalão do governo Bolsonaro, como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e o Banco do Nordeste.

O parlamentar disse que os nomes indicados passam por crivos técnicos e refletem o modelo de governo de coalizão, em que o governo eleito divide a ocupação dos cargos disponíveis e, assim, obtém apoio parlamentar para governar.

Arthur Lira diz que esse modelo vigora desde o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), iniciado em 1995, e que esses partidos "sempre foram responsáveis pelo equilíbrio institucional, pelo respeito à Constituição, pela votação das matérias tanto econômicas quanto sociais de muita importância para o país". "Essa imputação do toma lá, dá cá é muito injusta", disse.

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"A indicação não é para fazer o malfeito, mas sim para fazer com que a máquina pública funcione com responsabilidade", argumentou o parlamentar, que disse que, caso haja "problemas de competência, problemas de gestão", os indicados podem ser demitidos e substituídos pelo governo.

Ele ainda disse considerar que há uma postura excessivamente crítica a partidos que estão tendo mais espaço no governo recentemente, como Progressistas, Republicanos e o PL. Ele argumentou que outras legendas, como DEM, MDB e PSDB, já ocupam cargos no governo há mais tempo.

Fake news

O deputado Arthur Lira afirmou que o Centrão buscará negociações para "elaborar o melhor texto possível" para projeto de lei de combate às fake news no Brasil. O líder do Progressistas afirmou que "esse assunto é o pano de fundo de todo problema que vem sendo tratado no Brasil institucionalmente", mas que não se deve "apontar o erro de um lado, do outro lado ou de nós mesmos".

"Se nós resolvermos esse assunto, que não é fácil e envolve muitas variáveis, nós conseguiremos chegar a um caminho de harmonia", disse. Lira afirmou que as legendas têm compromisso com a democracia e defendem que os poderes "tenham limites" e convivam com harmonia.

Ele disse que há ativismo político da Câmara, excessos por parte do Executivo e que decisões do Judiciário devem ser cumpridas, mas é possível recorrer contra elas.