Maia: Câmara votará urgência sobre projeto de transparência de dados da Covid-19

Mais cedo, Maia afirmou que o impasse sobre dados de Covid-19 é 'problema de comunicação'

Da CNN
09 de junho de 2020 às 15:10 | Atualizado 10 de junho de 2020 às 07:37

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou a jornalistas, na tarde desta terça-feira (9), que a Casa irá votar na sessão de hoje a urgência para o projeto de lei que estabelece medidas de transparência na divulgação de dados da Covid-19 no país.

Perguntado sobre se a possibilidade do projeto passar na frente dos itens previstos na pauta de desta terça, Maia ponderou que a ida do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, mostra um "sinal claro da importância do diálogo entre o Parlamento e o Ministério da Saúde e o governo".

"É claro que a urgência da questão da transparência não veio baseada nesse problema dos últimos dias. Esse projeto já era pra ter sido votado a urgência antes. É claro que há uma intenção da parte de todos de garantir uma transparência ainda maior nesse momento", acrescentou.

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Maia ainda disse que "a urgência vai ser votada, vamos escolher um relator e, quando o relatório estiver pronto, na quarta ou na outra terça, vamos votar". "Agora vamos ter mais informações de como o governo montou seu banco de dados e qual a efetividade em relação à transparência dos dados do governo", concluiu.

O presidente da Câmara ainda avaliou que "os desencontros dos últimos dias foram muito negativos para todos" e que vai levar algum tempo para que a confiança nos dados da Saúde seja restabelecida. 

"O ideal é que, daqui a alguns dias, todos nós tenhamos a tranquilidade de saber que nenhum número está sendo escondido, que está se contabilizando as mortes pelos dias, mas não está esquecendo daquelas que ainda não foram confirmadas", disse. "Em algum momento, que é o ideal, todos nós voltaremos a ter confiança nos números apresentados pelo Ministério da Saúde", completou.

Momentos antes, Maia afirmou, diante do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, que houve um "problema claro de comunicação do governo com a sociedade, com os governadores, prefeitos e com o Parlamento" na questão do formato de divulgação de dados da Covid-19.

Auxílio emergencial

Maia ainda respondeu a uma declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que disse que poderia ampliar o auxílio emergencial se os parlamentares diminuíssem seus salários. O presidente da Câmara disse que se a sugestão envolver, além do Legislativo, o Executivo e o Judiciário, o Parlamento estará disposto a dialogar.

"A conta só está um pouco distante. O custo de dois meses é de R$ 100 bilhões. O custo anual dos salários dos parlamentares é de R$ 220 milhões bruto. Mas nós não temos problema nesse debate. É um debate que precisa ser feito", iniciou.

"Se todos os três poderes estivessem de acordo em um corte com percentual, que não seja muito grande porque todos têm suas despesas, mas cortando os salários mais baixos ao longo de alguns meses para que a gente possa garantir a renda emergencial para os brasileiros, sabendo que essa crise ainda vai durar alguns meses, tenho certeza que o Parlamento está disposto a dialogar para conseguir os caminhos para continuar fazendo aquilo que é o fundamental, que é cuidar dos mais vulneráveis", acrescentou.

Por fim, o presidente da Câmara disse que os parlamentares defendem muito "a construção de condições para continuar transferindo renda para os brasileiros mais simples e vulneráveis".

(Edição: Leonardo Lellis)