Ações da PF colocam em xeque 'solução Weintraub' para trégua com STF

Possível saída de Abraham Weintraub, que chamou ministros de "bandidos", seria uma espécie de "moeda de troca" e sinalização de "bandeira branca" ao Supremo

Daniel Adjuto
Por Daniel Adjuto, CNN  
16 de junho de 2020 às 14:27
O presidente Jair Bolsonaro na entrada do Palácio do Planalto, em Brasília
Foto: Isac Nóbrega/PR (5.jun.2020)

As recentes operações da Polícia Federal contra aliados do presidente Jair Bolsonaro e autorizadas pelo STF repercutiram mal no governo. A avaliação é que a trégua com o Supremo Tribunal Federal não está tendo sucesso, mesmo com o iminente desembarque do ministro da Educação da Esplanada dos Ministérios. A possível saída de Abraham Weintraub, que chamou ministros de "bandidos", seria uma espécie de "moeda de troca" e sinalização de "bandeira branca" à Suprema Corte. 

Um dos termômetros está nas redes sociais. Integrantes do governo constataram que são crescentes as críticas aos ministros Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência, e ao ministro da Justiça, André Mendonça. Em muitas das postagens há cobranças por maior reação aos mandados de prisão e de busca e apreensão autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes contra aliados do governo.

No último domingo, em direção oposta, Oliveira e Mendonça publicaram mensagens nas redes sociais defendendo diálogo e condenando ataques à democracia e a instituições. O gesto foi visto com bons olhos por ministros da Corte, mas sem plena confiança de trégua.

Diante deste cenário, a saída de Weintraub é dada como incerta. O ministro da Educação conta com o apoio dos filhos do presidente e da ala ideológica do governo. A avaliação é de que Abraham Weintraub "enfrenta sem medo quem ameaça a pauta de Bolsonaro".