'Eles estão abusando', diz Bolsonaro sobre investigações contra aliados

Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, presidente afirma que 'está chegando a hora de colocar coisas no lugar' e fala em 'chutar o pau da barraca'

Da CNN
17 de junho de 2020 às 10:17 | Atualizado 17 de junho de 2020 às 10:28

Ao se referir às investigações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra seus apoiadores – incluindo a quebra de sigilo de deputados de sua base de apoio –, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, nesta quarta-feira (17), que “estão abusando”.

“Eu não vou ser o primeiro a chutar o pau da barraca. Eles estão abusando, tá. Isso está a olhos vistos. O ocorrido no dia de ontem, quebrar o sigilo de parlamentares, não tem história nenhuma vista numa democracia mais, por mais frágil que ela seja”, afirmou o presidente a uma apoiadora no jardim do Palácio da Alvorada.

O presidente também afirmou que “está chegando a hora de colocar as coisas no devido lugar”, sem explicar o que queria dizer.

“Está chegando a hora de nós acertarmos o Brasil no rumo da prosperidade e todos, sem exceção, entenderem o que é democracia. Democracia não é o que eu quero, ou você [quer], o que um Poder quer ou outro Poder quer. Tá chegando a hora, fique tranquila.”

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Em outro momento, o presidente afirmou entender que a apoiadora falava respeitosamente com ele, mas disse que estava fazendo “exatamente o que tem que ser feito”.

“Vamos lá, em 1970 eu já estava na luta armada. Eu conheço tudo que está acontecendo no Brasil (...) Mas tem gente que nasceu 40 anos depois do que eu vivi e quer dizer como devo governar o Brasil”, disse.

A mulher, que afirmou ser uma ativista conservadora, disse que estava correndo risco de ser presa. "Eles já estão com mandado (de prisão). Três amigos nossos foram presos ontem sem fazer nada, não temos um estilingue para se defender. Não pedimos intervenção", contou a mulher ao presidente.

Na sequência, Bolsonaro falou que estilingue é ação, o que seria outra coisa, mas não pensamentos e palavras. “Pensamento e palavras é outra coisa. Eu sei o que é terrorismo. Terrorismo é você meter carro-bomba em guarita do Exército, no aeroporto de Guararapes lá, tá certo? Terrorismo é isso, não é o que alguns estão achando por aí. (...) Vai chegar a hora. Muito obrigado pela observação.”