Márcia Oliveira, esposa de Fabrício Queiroz, é considerada foragida


Da CNN, no Rio
18 de junho de 2020 às 09:41 | Atualizado 19 de junho de 2020 às 14:14

Márcia Oliveira de Aguiar, mulher de Fabrício Queiroz, é considerada foragida. A informação foi obtida pelo produtor da CNN Leandro Resende, do Rio de Janeiro, com fontes do Ministério Público. O mandado de prisão dela foi emitido junto com o do marido, preso no início da manhã desta quinta-feira (18) no sítio de Atibaia. Ela está sendo investigada pelo suposto esquema de "rachadinha", por ter repassado mais de R$ 1 milhão de reais de seu salário para o marido.

Fabrício Queiroz, de 55 anos, foi assessor e motorista de Flávio Bolsonaro até outubro de 2018, um mês antes do início da operação que apura esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na qual é investigado. 

No inquérito, o ex-subtenente da Polícia Militar é suspeito de cobrar a "rachadinha" – termo usado para apontar a prática de descontar salários de servidores – quando trabalhava no gabinete de Fávio Bolsonaro.

Márcia trabalhava no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj e aparece na folha de pagamento de agosto de 2017, segundo o Ministério Público, como consultora parlamentar e salário de R$ 9,2 mil. As filhas do casal Nathalia Mello de Queiroz e Evelyn Mello de Queiroz também trabalharam no gabinete do então deputado.

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A polícia fez buscas nessa manhã em alguns endereços da família, entre eles, uma casa na Taquara, em Jacarepaguá e a Márcia não foi localizada. Ela já é considerada foragida. Os agentes pediram para Queiroz fazer contato com a mulher, mas ele se negou.

A justificativa paras as prisões de Queiroz e Márcia, era que o casal, se solto, continuaria tentando atrapalhar as investigações, ameaçando testemunhas e investigados. A determinação das prisões foi do juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do TJ do Rio.

“A garantia da continuidade das investigações e produção de provas é um dos requisitos legais para a decretação de prisão preventiva”, descreveu o magistrado.

Em provas colhidas anteriormente, durante busca e apreensão feitas pelo Ministério Público do Rio em endereços da família, os investigadores tiveram acesso à mensagens trocadas por Márcia com outros interlocutores, no qual ela relatava que Queiroz, embora escondido, continuava dando ordens e tentando constranger testemunhas para que não colaborassem com a Justiça.

O Ministério Púbico afirma que Queiroz era o “operador do esquema conhecido como “rachadinhas”. Os funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro devolviam parte de seus salários e o dinheiro era lavado por meio de investimentos em uma loja de chocolate e na compra de imóveis”.

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Márcia Oliveira de Aguiar, mulher de Fabrício Queiroz é considerada foragida pela Polícia Federal do Rio de Janeiro

Foto: Reprodução/Facebook

Detalhes da prisão de Queiroz

Em entrevista à CNN, o delegado Nico Gonçalves, diretor do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) da Polícia Civil de SP, afirmou que Queiroz não apresentou resistência no momento da prisão.

“Não estou armado, fiquem tranquilo, não vai ter resistência. Vou me entregar, vocês estão com mandado? Então vamos cumprir a lei”, disse Queiroz no momento da prisão, segundo o delegado.

O ex-militar permaneceu calado durante todo o trajeto de Atibaia até São Paulo e afirmou que não precisava da operação para prendê-lo, já que compareceria à Justiça se fosse convocado.

O delegado afirmou ainda que o imóvel em que Queiroz foi preso era grande, mas o ex-assessor de Flávio Bolsonaro estava em um pequeno quarto. O delegado afirmou que um casal de caseiros estava em uma edícula no local.

Gonçalves ressaltou que a polícia de São Paulo apenas cumpriu o mandado de prisão vindo do Rio de Janeiro e que todos os pertences e documentos serão encaminhados para o MP do Rio.

Queiroz foi alvo de um mandado de prisão preventiva. Ele será transferido para o Rio de Janeiro em um helicóptero da polícia que decolará do Aeroporto do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo.

(Com informações de Maria Mazzei, da CNN, no Rio. Edição: Sinara Peixoto)