Governo alerta STF que Bolsonaro pretende depor por escrito

Entorno do presidente teme uma reação forte como quando Celso pediu manifestação à PGR sobre a entrega de celular para perícia

Caio Junqueira
Thais Arbex
24 de junho de 2020 às 18:25 | Atualizado 24 de junho de 2020 às 18:42


O governo emitiu sinais ao Supremo Tribunal Federal de que o presidente Jair Bolsonaro pretende prestar seu depoimento à Polícia Federal de forma escrita e não presencial.  

No entanto, a recomendação que o núcleo jurídico do presidente tem feito a ele é a de que ainda que o ministro Celso de Melo determine à Polícia Federal que tome o depoimento de Jair Bolsonaro de forma presencial, ele deve evitar reações enérgicas contra a corte.

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O entorno do presidente teme uma reação forte de Bolsonaro com uma decisão que ele considere despropositada e reaja como quando Celso pediu manifestação à Procuradoria-Geral da República sobre a entrega para perícia do celular presidencial.

Há a avaliação no governo de que o próprio presidente tomou a consciência de que o acirramento lhe seria prejudicial. E, portanto, recuou em uma postura mais agressiva desde a primeira operação decorrente do inquérito das Fake News, no dia 31 de maio, que fez buscas e apreensões em imóveis de militantes bolsonaristas e quebrou o sigilo de empresários apoiadores do governo.

Desde então, ele diminuiu as declarações públicas, não reagiu diante das diligências do inquérito dos atos antidemocráticos e entregou ao STF a cabeça do agora ex-ministro da educação, Abraham Weintraub.

Outra questão agora se levanta: a pacificação com o Judiciário interessa também ao filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro. Isso porque as investigações no Rio de Janeiro contra ele avançam. Conforme mostrou a CNN, o MP deve apresentar denúncia contra o senador.