Flávio Bolsonaro quer tirar juiz que prendeu Queiroz de mais uma investigação


Estadão Conteúdo
29 de junho de 2020 às 19:52
Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (11.fev.2020)

Foto: Beto Barata/Agência Senado

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) entrou nesta segunda-feira (29) com um pedido de suspeição do juiz Flávio Itabaiana Nicolau no inquérito que apura se ele praticou lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral em declarações de bens à Justiça Eleitoral.

O caso está nas mãos da 204ª zona eleitoral, que tem como juiz o mesmo magistrado que ficou conhecido pelas decisões na investigação que trata das suspeitas de "rachadinha" em gabinetes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), entre eles o de Flávio. Foi Itabaiana quem determinou a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do hoje senador.

O argumento para que o juiz não possa julgar Flávio Bolsonaro neste inquérito é o fato de que Itabaiana já teve Rodrigo Roca, que assumiu a defesa do senador, como seu advogado pessoal. Por isso, segundo o pedido, ele deve ser considerado suspeito para julgar o caso.

Na semana passada, em decisão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Itabaiana também viu sair de suas mãos o processo das "rachadinhas", já que os desembargadores deram a Flávio o direito a ter foro privilegiado na segunda instância -- o Ministério Público recorreu da decisão nesta segunda-feira.

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Outro ponto citado pelos advogados para a suspeição do juiz é o fato de que a filha dele é empregada na gestão do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), que nos últimos meses virou um dos mais notórios adversários políticos da família Bolsonaro. Esse fato sempre é citado por bolsonaristas que tentam deslegitimar nas redes sociais a investigação contra o filho do presidente Jair Bolsonaro.

O ponto-chave do inquérito eleitoral é um apartamento no bairro das Laranjeiras, zona sul do Rio, que pertence a Flávio e foi registrado em seus bens com valores diferentes nas eleições de 2014 e 2016, sendo o último inferior. Os imóveis do senador também são citados ao longo do processo das rachadinhas, já que há indícios de que ele teria lavado dinheiro por meio de compras e vendas fraudulentas de apartamentos.