Ministro da Justiça sobre Lava Jato: Nenhuma autoridade está isenta de apuração


Da CNN
29 de junho de 2020 às 22:42 | Atualizado 29 de junho de 2020 às 22:42

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, adotou um discurso de cobrança sobre os dois lados envolvidos na disputa política entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Em entrevista exclusiva à CNN, Mendonça disse ser "testemunha" de que a Lava Jato investigou um esquema grave de corrupção que provocou danos ao país. No entanto, disse que a atuação da força-tarefa não está isenta de apuração externa. 

"Precisamos sedimentar o que houve, houve um caso de corrupção sistêmica. De outro lado, logicamente, nenhuma instituição e nenhuma autoridade pública está isenta de ter a sua atuação apurada", afirmou o ministro.

Na sexta-feira (26), CNN divulgou um documento de integrantes da força-tarefa da Lava Jato, em que eles criticam o que chamam de "tentativa indevida, ilegal e constrangedora" da subprocuradora-geral da República, Lindora Araújo, de obter dados sigilosos das investigações. 

Lindora é braço-direito do procurador-geral Augusto Aras. Outro ponto de divergência diz respeito à possibilidade de uma delação premiada de Rodrigo Tacla Durán, ex-advogado da Odebrecht. A Lava Jato imputa diversos crimes ao advogado, que por sua vez acusa os procuradores de ilegalidades.

Apesar de ponderar que a "atuação de persecução e combate à corrupção tem o dever não só de prestar contas, mas de submeter a prestação de contas", o ministro André Mendonça também afirma que as autoridades devem buscar apenas as informações de investigações que sejam necessárias para seu trabalho. "Uma autoridade só tem que ter conhecimento daquela informação na medida da necessidade para a sua atuação específica", disse.

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STF

A respeito dos conflitos abertos entre os três poderes, Mendonça afirmou que está acontecendo uma "reacomodação dos poderes" após os crimes descobertos pela Lava Jato, seus impactos na vida institucional brasileira e a eleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018.

Perguntado se compartilha da posição de colegas de Esplanada de que o Supremo Tribunal Federal (STF) se excede em relação ao governo, ele adotou um tom conciliador, afirmando que todas as autoridades públicas precisam "autoconter-se". "Por isso, eu defendo que todos nós façamos uma autocrítica, do que vivemos na Lava Jato, do que vivemos na Covid-19 e do que queremos para o futuro da nossa democracia", disse.

André Mendonça também foi confrontado com o fato de seu nome já ter sido citado como um possível indicado para uma vaga no STF ainda no atual governo. Ele não negou interesse na vaga. "É uma pergunta que só o presidente da República poderá responder".

(Edição: André Rigue)