Presidente do TSE atuou para convencer Centrão a votar PEC que adia eleições


Igor Gadelha
Fernando Molica
29 de junho de 2020 às 13:13 | Atualizado 29 de junho de 2020 às 13:27
O presidente do TSE e ministro do STF, Luís Roberto Barroso

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF, Luís Roberto Barroso

Foto: Ueslei Marcelino - 7.mar.2018/Reuters

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, atuou pessoalmente, nos bastidores, para convencer líderes do Centrão na Câmara a votarem nesta semana a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que adia as eleições municipais deste ano.

Segundo apurou a CNN, Barroso ligou para algumas lideranças do grupo na última sexta-feira (26). O recado foi claro: se o Congresso não aprovar a PEC, certamente o Judiciário será provocado mais para frente e terá de decidir sozinho sobre o adiamento do pleito.

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À CNN, caciques do Centrão reconheceram que a ponderação do presidente do TSE contribuiu para algumas lideranças de partidos do bloco, entre eles, Republicamos, PP e PL, mudarem de opinião e passarem a aceitar o adiamento das eleições.

Após o apelo de Barroso, líderes do grupo se reuniram na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no fim de semana, para negociar um acordo para votação da PEC. O acordo prevê algumas compensações aos parlamentares e prefeitos.

No início da tarde desta segunda, o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira, publicou no Twitter ter sido convencido de que o adiamento "é a melhor decisão a ser tomada. Estamos construindo esse consenso necessário", escreveu.

Compensações pesaram na decisão

Como antecipou a analista Renata Agostini, entre essas compensações estão a retomada da propaganda partidária gratuita na TV e no rádio e o reforço ao socorro financeiro da União a prefeitos. O plano é que os gestores sejam beneficiados com R$ 5 bilhões extras. 

“O acordo está bem encaminhado e devemos ter a maioria consolidada para aprovação da PEC”, disse à CNN o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB). “Tudo caminha para votação na terça à noite. Já avançamos na articulação”, afirmou o líder da minoria na Casa, José Guimarães (PT-CE).

A eleição, prevista para ocorrer nos dias 4 e 25 de outubro (primeiro e segundo turnos), passaria, pela PEC já aprovada no Senado, para 15 e 29 de novembro. A emenda deverá ser votada na Câmara amanhã ou na quarta. Hoje, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fará uma reunião com presidentes de partidos para fechar os últimos detalhes do acordo em torno do adiamento.