Racha no centrão ameaça acordo para adiar eleições

PL decide não apoiar o adiamento das eleições municipais e, com isso, ameaça o acordo costurado ao longo do fim de semana para destravar a votação da PEC

Bárbara Baião e Renata Agostini Da CNN, em Brasília
30 de junho de 2020 às 19:43
Urna eletrônica que será utilizada nas eleições municipais de 2020
Foto: Divulgação/TRE-RJ


Dono da terceira maior bancada da Câmara, o PL decidiu não apoiar o adiamento das eleições municipais e, com isso, ameaça o acordo costurado ao longo do fim de semana para destravar a votação da proposta de emenda à Constituição, que já foi aprovada pelo Senado. 

A decisão marca um racha no bloco dos partidos de centro. O PL tem 42 deputados e, ao lado de Progressistas, Republicanos e PSD, compõe o núcleo duro do grupo conhecido como centrão. A postura do PL foi indicada em uma nova rodada de conversas entre o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e integrantes do governo nesta terça-feira.

Internamente, a avaliação é que, mesmo com a garantia de um caixa extra de cerca de R$ 5 bilhões para prefeitos até dezembro, os termos do acordo seriam insuficientes para garantir a adesão da bancada, já que uma campanha eleitoral mais alongada implicaria em mais custos. 

Além disso, dirigentes do PL pressionam pela aprovação do projeto de autoria do senador Jorginho Mello que garante o retorno da propaganda partidária no rádio e TV — antes de discutir a mudança no calendário eleitoral. A medida, no entanto, ainda não tem data para ir à discussão no Senado.

O posicionamento vai na contramão da mudança de postura de outras siglas do centrão. Inicialmente, o Republicanos e Progressistas também eram refratários à proposta, mas passaram a defender mudanças no calendário eleitoral depois de ouvirem recados de ministros Supremo Tribunal Federal que, caso não votassem o tema, a responsabilidade pela alteração seria transferida para a corte. 

Nos bastidores, parlamentares atribuem outro elemento para a postura: a exclusão de representantes da sigla de um jantar organizado por dirigentes partidários, na semana passada, para o senador Flávio Bolsonaro, do Republicanos. O encontro ocorreu na casa do presidente da sigla, Marcos Pereira, e contou com a participação dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Davi Alcolumbre, além do presidente do PP, Ciro Nogueira e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro. 

A ida de Ribeiro ao encontro foi interpretada como uma tentativa de enfraquecer o grupo político mais alinhado ao líder do PL, Wellington Ribeiro, encabeçado hoje pelo líder do do PP, Arthur Lira. No cenário atual, os dois correligionários travam uma disputa interna porque são potenciais candidatos à eleição da presidência da Câmara no ano que vem.