Em carta a Bolsonaro, aliados do governo na Câmara apoiam Vitor Hugo para o MEC

Rudá Moreira, da CNN, em Brasília
10 de julho de 2020 às 12:46
O deputado federal Vitor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Câmara, fala à CNN
Foto: CNN (24.jun.2020)

O nome do deputado e major do Exército Vitor Hugo (PSL-GO) ganha força para ser o novo ocupante do cargo mais alto da Educação no país. Em carta enviada a Jair Bolsonaro, todos os vice-líderes do Governo na Câmara e mais alguns deputados aliados expressaram "total apoio à possível indicação do líder do Governo, deputado Vitor Hugo, para comandar o Ministério da Educação (MEC)".

Os deputados também defendem que o nome de Vitor Hugo poderia ajudar a "pacificar" o MEC após tantas polêmicas e a aproximar partidos do centro. O presidente da República afirmou, em live pelas redes sociais na noite dessa quinta-feira (9), que pretende definir o seu quarto ministro até esta sexta (10).

A carta enumera pontos positivos da carreira no Exército, conquistas acadêmicas (como ter sido aprovado em concurso para Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados) e os feitos à frente da liderança do Governo.

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"A capacidade de Vitor Hugo para gerir o sistema educacional público do Brasil está evidenciada, em nossa avaliação, pela sua elevada competência em atividades de planejamento estratégico, que pudemos testemunhar diariamente em nossa atuação na Liderança do Governo", diz um trecho.

E, mais à frente: "Pelo fato de ter total sintonia com o pensamento do presidente Jair Bolsonaro e dos brasileiros conservadores, Vitor Hugo certamente fará a melhor análise dos problemas que precisam ser corrigidos na educação brasileira."

O documento foi assinado, ainda na quinta-feira (9), por 19 deputados federais de seis partidos diferentes. incluindo legendas do chamado centrão: 13 do PSL (antigo partido de Bolsonaro), dois do Progressistas (PP), um do PL, um do Democratas (DEM), um do Podemos (PODE) e um do PROS.

A pluralidade partidária no apoio ao nome de Vitor Hugo para o MEC pode indicar uma outra moeda que estaria em jogo: a possível nomeação dele para o cargo de ministro deixaria o cargo de líder do Governo na Câmara livre para ser negociado com os aliados, num momento em que o governo se aproxima dos partidos de Centro na busca por mais apoio no parlamento. 

É o que sugere um dos signatários da carta, o vice-líder do Governo Evair Vieira de Melo (PP-ES). "Se ele [Vitor Hugo] for deslocado para uma outra função, o governo ao mesmo tempo abre uma janela estratégica importante", afirmou à CNN o deputado.

Evair de Melo também avaliou que a capacidade de conciliação do atual líder o qualifica para assumir o MEC, apesar do distanciamento do militar com a área da Educação. "Não tem que ser a pessoa que mais sabe da Educação, tem que ser alguém com habilidade, com capacidade de ouvir o contraditório, de conversar. Um cara que tem capacidade de aprender. Vitor Hugo é um cara sereno, equilibrado, tranquilo. Isso pode ser uma característica importante para o ministério. Ele tem o perfil conciliador que é necessário."

Ainda na defesa da tese de que o ministro da Educação não precisa ser da área, Evair de Melo fez a seguinte comparação: "Eu sou contra o PT, mas o Palocci, enquanto ministro da Economia, foi muito bem. O José Serra, enquanto economista, na Saúde, deu um show." 

Deputados que assinam a carta

Aline Sleutjes (PSL-PR)Alê Silva (PSL-MG)Carla Zambelli (PSL-SP)
Carlos Henrique Gaguim (DEM-TO)
Carlos Jordy (PSL-RJ)
Caroline de Toni (PSL-SC)
Coronel Armando (PSL-SC)
Coronel Chrisóstomo (PSL-RO)
Eros Biondini (PROS-MG)
Evair Vieira de Melo (PP-ES)General Girão (PSL-RN)
Guilherme Derrite (PP-SP)Guiga Peixoto (PSL-SP)
José Medeiros (PODE-MT)
José Rocha (PL-BA)Junio Amaral (PSL-MG)
Major Fabiana (PSL-RJ)
Márcio Labre (PSL-RJ)Sanderson (PSL-RS)

Íntegra da carta

"Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Jair Messias Bolsonaro
    
Nós, vice-líderes do Governo na Câmara dos Deputados, manifestamos o nosso total apoio à possível indicação do líder do Governo, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), para comandar o Ministério da Educação.
Vitor Hugo é um dos aliados mais leais ao presidente Jair Bolsonaro e à pauta conservadora que representa o pensamento da maioria do povo brasileiro.


Cristão, conservador, com uma carreira brilhante no Exército Brasileiro, Vitor Hugo tem total condições de se tornar um grande ministro da Educação.

Além de ter sido o primeiro colocado em vários concursos e cursos em sua vida acadêmica e no Exército, Vitor Hugo foi aprovado em primeiro lugar num dos concursos públicos de mais alto nível do Brasil: o de Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados, na área de Segurança Pública e de Segurança Nacional.

Essas conquistas acadêmicas, inquestionáveis e amplamente documentadas, mostram o seu preparo intelectual para exercer o cargo.

E a capacidade de Vitor Hugo para gerir o sistema educacional público do Brasil está evidenciada, em nossa avaliação, pela sua elevada competência em atividades de planejamento estratégico, que pudemos testemunhar diariamente em nossa atuação na Liderança do Governo.

Ao longo deste tempo na Liderança, testemunhamos, por incontáveis vezes, o deputado Vitor Hugo elaborar diagnósticos profundos, altamente objetivos e eficazes de situações críticas que precisavam ser melhoradas - e foram - de maneira rápida.

Pelo fato de ter total sintonia com o pensamento do presidente Jair Bolsonaro e dos brasileiros conservadores, Vitor Hugo certamente fará a melhor análise dos problemas que precisam ser corrigidos na educação brasileira.

Acostumado a comandar e a liderar, no Exército e no Congresso, ele terá, sem nenhuma dúvida, a capacidade de escolher uma equipe técnica de altíssimo nível para ocupar os cargos-chave do MEC. E traçará as diretrizes de políticas públicas a serem efetivadas.

Outro ponto que precisamos destacar é a grande capacidade de diálogo de Vitor Hugo, um dos poucos parlamentares não só da nossa base bolsonarista, mas da Câmara, com trânsito em todas as correntes políticas da Casa.

Vitor Hugo tem, portanto, a qualificação intelectual, os atributos de liderança e a capacidade de articulação necessárias para comandar um dos principais ministérios do Brasil.
Temos certeza de que ele será não apenas um ministro, mas um dos melhores ministros a trabalhar pelo Brasil."