Carta defende agenda para proteger ambiente e gerar empregos, diz Ricupero


Da CNN
14 de julho de 2020 às 21:24

 

Um dos signatários de uma carta escrita por ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central, Rubens Ricupero afirmou à CNN nesta terça-feira (14) que o documento não é contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas sim a favor da defesa de uma agenda de longo prazo para o país.

"Não é um documento de crítica a esse governo, é de longo prazo. Nós queremos influir para uma ação de longo prazo, de reconstrução da economia", afirma Ricupero, que é diplomata de formação e ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente.

Na análise do ex-ministro, a economia que emergirá nos próximos anos será cada vez mais focada no desenvolvimento sustentável e em baixas emissões de carbono.

Ricupero argumenta que o Brasil sairá da pandemia da Covid-19 com "investimento quase zero e desemprego altíssimo" e que, portanto, o país deveria seguir esse caminho para poder atrair aportes estrangeiros. "Seria a melhor maneira de atrair investimentos e gerar empregos, porque é nessa área que vai haver geração de empregos", defende.

O diplomata criticou a posição do Ministério da Economia em resposta à carta, que enxerga que a atual situação do desmatamento na Amazônia não afetará a atração de recursos. "Dizer que isso não afugenta investidores estrangeiros parece coisa de humorista. É uma atitude de querer negar a realidade."

Exército

O ex-ministro ainda criticou a atual condução da política ambiental, que neste ano passou a ser feita de forma mais ativa por militares, com a criação do Conselho da Amazônia, sob o comando do vice-presidente Hamilton Mourão, e a Operação Verde Brasil 2.

Assista e leia também:

Descaso com clima pode custar mais que pandemia, alertam ex-ministros

Governo enviará projeto pedindo mais dinheiro para ações na Amazônia, diz Mourão

Mourão afirma ao Senado que governo cogita orçamento exclusivo para Amazônia

"Apesar da mobilização das Forças Armadas, isso não deu certo. Isso não é culpa das Forças Armadas", diz.

"Colocou-se lá o Exército, o Exército não entende disso. O que o Exército pode fazer e isso seria útil seria dar proteção aos fiscais do Ibama. O Exército gastou em um mês mais do que os fiscais do Ibama gastam um ano e sem resultado", critica Ricupero.

(Edição: Paulo Toledo Piza).