Bolsonaro diz que vai manter Salles e Pazuello no governo


Anna Satie, da CNN em São Paulo
16 de julho de 2020 às 20:25 | Atualizado 17 de julho de 2020 às 07:31

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu nesta quinta-feira (16) a permanência dos ministros Ricardo Salles e Eduardo Pazuello nas pastas do Meio Ambiente e Saúde, respectivamente. 

"Salles fica e Pazuello fica. A gente lamenta aquela reunião reservada em que não se mede palavras em que Salles disse que ia passar a boiada. Ele dizia que ia desregulamentar muita coisa, não permitir cometer crimes", defendeu. 

Ele se referia à reunião ministerial de 22 de abril, em que Salles diz que governo deveria aproveitar a pandemia do novo coronavírus para "passar a boiada" no meio ambiente.

"Ricardo Salles, para mim, está fazendo um trabalho excepcional", defendeu o presidente, que chamou de "xiitas" os ministros de governos anteriores, como Marina Silva e Carlos Minc. 

Em defesa da permanência de Pazuello no Ministério da Saúde, Bolsonaro criticou os que dizem que houve "militarização" no governo. Ele citou que nove dos 23 ministros são militares, mais o vice-presidente Hamilton Mourão. "É a infantaria tomando conta dos ministérios do Brasil", afirmou.

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'Seita ambiental'

O meio ambiente foi um dos temas principais da live semanal do presidente nas redes sociais, em que chamou a Europa de "seita ambiental". 

"A Europa é seita ambiental, eles não preservaram nada do seu meio ambiente e querem vir em cima de nós, de forma injusta, porque é uma briga comercial também", disse. 

Ele afirmou que as queimadas na Amazônia estão abaixo da média dos anos anteriores —segundo dados do Inpe, o mês de junho deste ano teve o maior número de focos de incêndio na região nos últimos 13 anos.

Segundo ele, uma "grande parte" desses incendiários seriam índios e caboclos para agricultura tradicional. Não foram citados dados.