Exclusivo: 'Minhas campanhas foram todas dentro da lei', diz Alckmin


Guilherme Venaglia, da CNN em São Paulo
16 de julho de 2020 às 18:06 | Atualizado 16 de julho de 2020 às 19:38

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou, em entrevista exclusiva à CNN nesta quinta-feira (16), que todas as suas campanhas foram financiadas de forma legal, após ter sido indiciado pela Polícia Federal.

"As minhas campanhas tanto de 2010, tanto de 2014, quanto de 2018, foram rigorosamente dentro da lei", disse. Alckmin falou que tem "dever de prestar contas", mas questionou a condução da investigação. "Não fui nem sequer ouvido, mas vou prestar contas".

O inquérito que resulta agora no indiciamento faz parte da divisão paulista da Operação Lava Jato. Questionado se vê politização no fato de o ato contra si ter acontecido poucas semanas depois de uma denúncia contra o também ex-governador José Serra (PSDB), ele disse torcer para que isso não esteja ocorrendo.

"Eu espero que não, eu sou daqueles que defendem as instituições", disse. O ex-governador disse não ter conhecimento jurídico para avaliar se é correta a medida do procurador-geral da República, Augusto Aras, de solicitar informações das investigações da Lava Jato.

O ex-governador estava na emissora para uma entrevista previamente agendada e foi informado pela reportagem do indiciamento.Ele é acusado de suspeitas de cartel no Metrô de São Paulo e no Rodoanel, derivada em campanhas eleitorais.

Investigação

O indiciamento tem como base delações premiadas de executivos do Grupo Odebrecht.

Geraldo Alckmin afirmou que seu patrimônio não cresceu e que após a sua última candidatura à Presidência da República ele voltou a exercer atividades privadas, que são sua fonte de renda.

Segundo a PF, além da colaboração premiada, os investigadores usaram prova pericial nos sistemas de informática da Odebrecht, análise de extratos telefônicos, obtenção de conversas via Skype e telefônicas, além de análise de documentos indicando a prática de cartel no Metrô de São Paulo e no Rodoanel.

Além de Alckmin, foram indiciados o ex-tesoureiro do PSDB Marcos Antônio Monteiro e o advogado Sebastião Eduardo Alves de Castro. Alckmin governou São Paulo de 2001 a 2006 e depois de 2011 e 2018.

Pandemia

Médico de formação, o ex-governador Geraldo Alckmin criticou a manutenção de um interino no comando do Ministério da Saúde e comparou a atual situação com a gripe espanhola há cerca de 100 anos atrás.

Segundo Alckmin, o governo de então também defendeu o que chamou de "teorias conspiratórias" e se dobrou diante do agravamento da crise.

"Até que, vendo a gravidade da situação, o presidente Venceslau Braz colocou na linha de frente o Carlos Chagas, grande médico sanitarista. Está mais do que na hora e ainda é tempo, olha que começou no Brasil em fevereiro, e buscar o Carlos Chagas do século XXI."

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O tucano defendeu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que a frase do magistrado atribuindo ao Exército a participação em um "genocídio" é fora de contexto.

"Devemos sempre ter cuidado com frases. O que ele quis dizer é que é inconcebível, no meio de uma pandemia dessa gravidade, e o Brasil nós somos o segundo país em infectados e em mortes, nós termos um ministro interino", disse Alckmin.

Ele afirmou que as medidas do governo Jair Bolsonaro na área econômica são boas, mas "precisam ser mais rápidas" e que o Brasil já deveria ter alcançado suficiência em termos de leitos de UTI e respiradores.

O ex-governador voltou a dizer que defende uma reforma partidária, que promova a redução no número de partidos políticos com representação no Congresso Nacional, pauta que já defendeu durante a sua última candidatura ao Palácio do Planalto.