Guedes diz a Maia que enviará tributária próxima semana, mas quer contrapartida

Por Igor Gadelha, CNN  
16 de julho de 2020 às 13:55
Ministro da Economia, Paulo Guedes e presidente da Câmara, Rodrigo Maia - 28.ago.2019
Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que deve enviar na próxima semana uma primeira proposta de reforma tributária do governo. O aviso foi dado em almoço nesta quarta-feira (15), em Brasília, na casa do ministro das Comunicações, Fabio Faria, responsável por articular o encontro.

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“Sinalizei sim [que mandará a proposta do governo na próxima semana]”, afirmou Guedes à CNN. O ministro ponderou, no entanto, que quer “contrapartidas” do Legislativo, por meio da aprovação de projetos para “destravar investimentos” nas áreas de gás natural, petróleo, setor elétrico, cabotagem, privatizações e concessões.

O chefe da equipe econômica afirmou que o encontro serviu para ele e Maia apararem as arestas, após “desentendimento político” trazido pela pandemia, e acertarem a retomada da agenda econômica. “Precisamos de investimentos, emprego e renda”, afirmou Guedes, classificando o almoço como “primeiros sinais de reaproximação”.

Guedes reforçou que ele e Maia não trataram sobre a criação de um imposto sobre transações financeiras nos moldes da antiga CPMF, o qual o presidente da Câmara já se posicionou contra. Segundo a analista Renata Agostini e a jornalista Bárbara Baião, o ministro explicou ao deputado que a ideia é deixar o debate sobre o imposto para uma segunda etapa. 

Noite com Alcolumbre



Após o almoço, Maia conversou à noite com Davi Alcolumbre, quando apelou para que o presidente do Senado aceite convocar a comissão especial mista para debater a reforma tributária. O senador vem resistindo a convocar o colegiado, por avaliar que isso o obrigaria a reativar os trabalhos da CPI mista das Fake News, incômoda ao governo.

Segundo interlocutores de Alcolumbre, ele segue firme na ideia de não convocar a comissão mista. Acha que não é o momento. Líderes partidários na Câmara aliados a Maia apostam, contudo, que o presidente do Senado acabará cedendo, após a equipe econômica enviar ao Congresso a proposta de reforma tributária do governo.