A apoiadores, Bolsonaro volta a defender uso de hidroxicloroquina


Da CNN, em São Paulo
18 de julho de 2020 às 20:36 | Atualizado 18 de julho de 2020 às 22:33

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender neste sábado (18) o uso de hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19. Infectado pelo novo coronavírus, o presidente fez uso do medicamento, que não tem eficácia comprovada contra a doença.

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"Se não temos alternativa, vamos com a hidroxicloroquina", disse a apoiadores que estavam em frente do Palácio da Alvorada. Ele usava máscara e estava acompanhado da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). "Não perturbem quem quer tomar a cloroquina", afirmou o presidente, muito aplaudido em seguida.

Ele disse que é a "prova viva" do funcionamento da medicação. "Não existe comprovação científica que não seja eficaz, mas também não existe o contrário, de que não funciona", explicou.

As declarações foram transmitidas pela página oficial de Bolsonaro no Facebook.

Economia

O presidente afirmou ainda que as medidas de isolamento adotadas por governadores e prefeitos contra a disseminação do novo coronavírus no Brasil "sufocaram" a economia do país.

"Em um país continental como o nosso, aplicaram o lockdown quase que instantaneamente, sufocaram a economia no Brasil e vão querer botar a culpa em mim?", questionou.

Segundo ele, não faltaram recursos por parte do governo federal, nem medidas para rolar dívidas dos Estados. "Fizemos de tudo, mas a economia tem que voltar a funcionar", defendeu.

Bolsonaro disse que ninguém morreu por falta de aparelhos respiradores durante a pandemia, porém ressaltou que "sem salário, sem emprego, você morre de fome".

Ainda de acordo com o presidente, o isolamento domiciliar também pode desencadear morte por outras causas. "Brasil fica só falando de vida, de vida, isolamento mata", afirmou o presidente, acrescentando que aumentaram os casos de violência doméstica, suicídio e depressão na quarentena.

Militares na Saúde

Neste sábado, Bolsonaro também voltou a defender a atuação do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, e minimizou novamente a presença de militares na pasta. "Ele (Pazzuelo) faz um trabalho excepcional de gestão", ressaltou.

Nesta semana, Bolsonaro confirmou que o general permanecerá na pasta até o momento, mesmo em meio a críticas, e chegou a dizer que Pazuello era "predestinado" para contribuir com a pátria em momentos difíceis, como o da atual pandemia.

Quanto aos militares no Ministério da Saúde, ele reafirmou que a pasta conta com mais de 5 mil servidores de carreira e o general levou somente 15 militares.

Mais cedo, Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais alimentando emas na residência oficial. Ele chegou a colocar a máscara no queixo enquanto falava à câmera, manuseada por um cinegrafista.

(Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo).