Após votar contra Fundeb, Bia Kicis é dispensada da vice-liderança do governo


Bianca Camargo e Guilherme Venaglia, da CNN em São Paulo
22 de julho de 2020 às 22:04 | Atualizado 25 de julho de 2020 às 15:52

Um dia depois de votar contra a proposta de emenda à Constituição (PEC) do Fundeb, a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) foi dispensada da vice-liderança do governo no Congresso Nacional.

A mensagem ao Congresso assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

Mais cedo, Bolsonaro se isentou de relação com os deputados que votaram contra a prorrogação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica. "Alguns dizem que minha bancada votou contra. A minha bancada não tem seis ou sete, não. A minha bancada é bem maior do que essa daí", afirmou.

Na mesma fala, o presidente disse que os deputados deveriam explicar seus votos. "Foi uma votação quase unânime, seis ou sete votaram contra. Os que votaram contra têm seus motivos, só perguntar para eles por que votaram contra", afirmou Bolsonaro, em conversa com apoiadores em Brasília. 

Além de Bia Kicis, outros quatro deputados votaram contra a proposta nos dois turnos de votação: Chris Tonietto (PSL-RJ), Filipe Barros (PSL-PR), Junio Amaral (PSL-MG) e Paulo Martins (PSC-PR). Todos são apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

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Segundo o âncora da CNN Caio Junqueira, interlocutores do presidente Jair Bolsonaro têm lhe aconselhado a se afastar do seu núcleo de apoiadores mais radicais se quiser se manter no cargo e ter boas chances de reeleição.

A avaliação é a de que Bolsonaro precisa fazer um movimento semelhante a que o ex-presidente Lula fez no início do seu governo. Na ocasião, a ala mais radical do PT fez oposição à reforma da Previdência. O grupo acabou deixando o partido para fundar o PSOL. Foi o símbolo do pragmatismo político que o PT adotou e que acabou marcando seus governos.