Bolsonaro agora avalia manter Pazuello na Saúde


Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
22 de julho de 2020 às 18:31 | Atualizado 23 de julho de 2020 às 07:32

Militares do governo começam a liderar um movimento para que o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, assuma o cargo em caráter definitivo. As conversas estão em andamento e o próprio presidente Jair Bolsonaro já considera essa possibilidade.

"O entorno do presidente sabe que Pazuello veio solucuionar problemas e que tem uma assessoria forte de técnicos. Ele está trazendo resultados positivos e não há por que não ficar no cargo", disse á CNN o Secretário de Assuntos Especiais da Presidência da República, almirante Flávio Rocha, um dos assessores mais próximos do presidente. Questionado se não seria melhor ter um médico à à frente da condução da crise no país em vez de um militar, ele respondeu: "Simbolismo não é o mais importante agora, mas gestão". Outros militares do governo com que a CNN conversou nesta quarta-feira têm o mesmo entendimento e começam também a aconselhar o presidente neste sentido. 

O movimento parte do princípio de que tirar Pazuello do cargo seria um atestado de que os militares fracassaram na condução da pandemia no país. Isso no momento em que, para o governo, a pandemia começa a dar sinais de que entra na sua fase final. Por exemplo, um dado considerado é o que mostra que nenhum dos estados do país está sob risco de colapso no seu sistema de saúde. Outro dado mostra que seis estados apenas estão em curva ascendente de casos, três (SP / RJ / CE) são responsáveis por quase 50% de todos os óbitos e 6 estados (SP, RJ, CE, PE, PA e AM) são responsáveis por 2/3 de todos os óbitos no Brasil. Outro dado considerado é que, ao se considerar número de casos por milhão de habitante, o Brasil fica em 13 lugar no ranking dos países do mundo. A própria Organização Mundial da Saúde também já apontou que o Brasil entrou no chamado "platô", que é quando os casos entram em uma relativa estabilidade.

Nesse sentido, a avaliação é a de que manter Pazuello na Saúde seria a resposta ideal aos críticos não só da condução que o presidente Jair Bolsonaro teve durante toda a crise, mas também a resposta aos críticos da militarização da pasta. Pazuello desde que assumiu colocou militares nos principais cargos. E por ser um general da ativa, acabou vinculando as Forças Armadas à condução da crise do coronavírus no país. Essa posição, inclusive, gerou a última crise entre poderes no país: o minsitro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes disse que a situação acabava associando o Exército a um "genocídio". 

Outro fator que tem motivado o governo a mantê-lo é o apoio do universo político. Do palácio da Alvorada, onde cumpre isolamento, Bolsonaro têm recebido elogios de parlamentares e de governadores sobre a atuação de Pazuello. 

O próprio Exército, que pressionou o governo por uma definição da situação de Pazuello, já não vê problemas que ele permaneça no cargo. Segundo oficiais da ativa, a questão principal era referente à situação do ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, que já foi para a reserva. Com Pazuello, a avaliação é distinta porque ele é um general de Intendência, uma subdivisão do Exército em que os generais são de três estrelas, e não de quatro estrelas, como as cinco armas da instituição (Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Comunicações). Apenas os quatro estrelas, por exemplo, participam do Estado-Maior do Exército, o órgão mais influente das Forças Armadas.