Defesa se diz preocupada com crises em países vizinhos e pede orçamento maior

Na avaliação da pasta, Brasil poderá se ver motivado a ajudar na 'solução de eventuais controvérsias regionais ou mesmo para defender seus interesses'

Basilia Rodrigues, Teo Cury, Caroline Rosito, da CNN, em Brasília
22 de julho de 2020 às 15:33 | Atualizado 22 de julho de 2020 às 19:21
O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva (1º.abr.2020)
Foto: Frederico Brasil/Futura Press/Estadão

O governo considera a possibilidade de "crises e tensões" na América do Sul que motivariam o Brasil a ajudar na "solução de eventuais controvérsias regionais ou mesmo para defender seus interesses", de acordo com documento sobre defesa nacional apresentado nesta quarta-feira em cerimônia no Palácio do Planalto.

A primeira versão do texto falava em "conflito armado" nos países vizinhos. O ministério atenuou o tom e passou a chamar de crise.

O aumento da demanda da atividade das Forças Armadas é apontado pelo Ministério da Defesa como fator para que o orçamento da pasta cresça também e chegue a 2% do PIB. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, participou da cerimônia. Bolsonaro também, por videoconferência.

À CNN, o porta voz da pasta, vice-almirante Carlos Chagas chamou atenção para tensões no entorno estratégico. "Há 4 anos, não tinha pandemia, derramamento de óleo, crise migratória na Venezuela. São coisas que merecem uma atenção especial. Significa que estão todos atentos às tensões, crises, que não podem ser ignoradas. No caso dos refugiados da Venezuela, houve uma operação para recebê-los no Brasil. No caso do óleo, quase toda Marinha foi mobilizada. Na pandemia, há o uso de 34 mil militares por dia, isso é mais do que toda a força expedicionária brasileira na segunda guerra mundial", pontuou.

O ministério aponta que atuou em mais de 3 mil desinfecções no Brasil, contra a Covid-19. Além de ações sociais, como a distribuição de 750 mil cestas básicas.

A política e a estratégia de defesa nacional são atualizadas a cada quatro anos. Essa é a primeira versão no governo Bolsonaro, que agora será analisada pelo Congresso.

O documento afirma também que "impactos provocados por mudanças climáticas ou por pandemias poderão acarretar graves consequências ambientais, sociais, econômicas e políticas, exigindo pronta resposta do Estado".

"A Defesa do país é indissociável de seu desenvolvimento", afirma o porta voz do Ministério. O material também destaca a  necessidade de independência tecnológica do país com apoio à  indústria nacional da Defesa.