Em relatório, governo do RJ vê omissão de Edmar Santos na compra de respiradores

Irregularidades levantadas pelo Ministério Público nesses contratos levaram para prisão Edmar Santos, Gabriell Neves, entre outros gestores da saúde do Rio

Leandro Resende, da CNN, no Rio
28 de julho de 2020 às 12:01
Edmar Santos, ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Omissão, fraude e um prejuízo de R$ 123 milhões aos cofres do estado com os contratos para compra de respiradores. Esse é o resultado da  primeira auditoria extraordinária realizada pela Secretaria de Saúde do Rio, cuja conclusão é de que o ex-titular da pasta Edmar Santos, preso no dia 10 deste mês, foi omisso ao autorizar as compras e seu ex-subsecretário Gabriell Neves devem ser responsabilizados pelas compras fraudulentas de respiradores pulmonares. 


O relatório foi obtido pela CNN, tem 12 páginas e é do dia 20 de julho deste ano. Trata-se de um documento público, da própria Secretaria de Saúde, que responsabiliza diretamente Edmar Santos pelos problemas nos três contratos que, juntos, serviriam para aquisição de 1000 respiradores, ao preço de R$ 183,3 milhões.

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Irregularidades levantadas pelo Ministério Público nesses contratos levaram para prisão Edmar Santos, Gabriell Neves, entre outros gestores da saúde do Rio e empresários, em seguidas operações realizadas desde a primeira semana de maio. O prejuízo potencial aos cofres públicos são estimados em R$ 123,5 milhões. No rol de irregularidades está o fato de, por exemplo, as empresas escolhidas valerem menos de 1% do total dos contratos. 

“Ante as irregularidades verificadas, o Sr. Edmar Santos, Secretário de Estado de Saúde à época das contratações, deve apresentar as razões de sua omissão”, diz trecho do documento de auditoria. Todos as fases da contratação de empresas para fornecer respiradores, segundo a auditoria, tiveram “inconformidades, com flagrante desvio de finalidade”.

Chama atenção o fato de que apesar das investigações do Ministério Público, da auditoria interna e da feita pelo Tribunal de Contas do Estado,ainda não é possível dizer que o esquema de corrupção está apurado. “Não necessariamente foram abarcadas todas as irregularidades, pois não é possível afirmar que foram juntados ao Sistema Eletrônico de Informações todos os documentos existentes acerca das contratações como, a título de exemplificação, possíveis e-mails, telefonemas e reuniões”, diz um outro trecho da auditoria. 

Procurados, Edmar Santos e Gabriell Neves não se manifestaram.