Fraude em licitações: PF cumpre mandados de busca e apreensão no Recife

Denúncia apura supostas irregularidades no pregão da Assembleia Legislativa de Pernambuco

Diego Barros, da CNN, no Recife
30 de julho de 2020 às 08:44 | Atualizado 30 de julho de 2020 às 09:33
 
Foto: Rinaldo Marques/ Alepe

Agentes federais estão, na manhã desta quinta-feira (30), na Assembleia Legislativa do Pernambuco (Alepe), na Superintendência de Planejamento e Gestão (Suplag) e na comissão de licitação e sala dos pregoeiros. Um chaveiro auxilia no trabalho dos policiais, que cumprem dez mandados de busca e apreensão expedidos pela 13ª Vara Federal do Recife.

A operação Coffee Break busca investigar supostas irregularidades no pregão de licitação que teria participação de um servidor da Alepe, para favorecer empresas. Esse é um desdobramento da operação Casa de Papel, deflagrada em 16 de junho.

Segundo as investigações, as empresas controladas pela organização criminosa vêm sendo beneficiadas há dez anos, com contratações milionárias – efetuadas pela Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco – no valor de quase R$ 40 milhões de reais. 

Segundo a PF, essa nova fase da investigação apura a solicitação de vantagem indevida feita por um servidor comissionado da Alepe, que atuava na comissão de pregoeiros e no setor responsável pelos pagamentos, para favorer internamente essas empresas.

O pedido de propina foi travestido de um convite para tomar um café, daí o nome da operação, Coffee Break.

Quatro mandados estão sendo cumpridos na Alepe e os demais em residências de alguns envolvidos em Recife, Gravatá e Ipojuca.

Ainda segundo as investigações da Polícia Federal, o servidor comissionado e o líder da organização criminosa estão sendo indiciados pela prática dos crimes de corrupção, advocacia administrativa e dispensa indevida de licitação. 

Foi determinado pelo Juiz Federal, o afastamento temporário do servidor comissionado. Nenhum gabinete de deputado foi alvo de buscas.