Doria diz que Bolsonaro é bem-vindo em São Paulo, mas não para passear

'Visitar o Vale do Ribeira neste momento para andar de jetski e passear de helicóptero talvez não seja o melhor momento', disse governador

da CNN
31 de julho de 2020 às 17:07
O governador de São Paulo, João Doria, durante entrevista coletiva
Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo (31.jul.2020)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) rebateu afirmações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta sexta-feira (31), dizendo que ele seria muito bem-vindo em visita ao estado, mas para anunciar benfeitorias, não para passear.

"Por óbvio ele é sempre bem-vindo. Mas visitar o Vale do Ribeira neste momento para andar de jet ski no Rio Ribeira e passear de helicóptero talvez não seja o melhor momento", disse.

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Em live no Facebook nesta quinta-feira (30), o presidente disse que teria de cancelar uma visita ao Vale do Ribeira porque Doria iria reclassificar a região como zona vermelha no plano de reabertura.

Ele afirmou também que convidaria Doria para sobrevoar a região de helicóptero, e defendeu o estímulo ao "turismo de jet ski" na região. "O turismo de jet ski no Vale do Ribeira seria excepcional. Para tal, estamos conversando com a Marinha", disse Bolsonaro.

Vale do Ribeira

A região do Vale do Ribeira voltou à classificação vermelha do Plano São Paulo, programa de reabertura econômica do Estado em meio à pandemia do coronavírus, e terá de fechar seu comércio não essencial por ao menos mais duas semanas.

A informação foi dada pelo governo paulista nesta sexta-feira (31), dia em que São Paulo registrou 13.298 casos de Covid-19 em 24 horas. O total de mortos chegou a 22.997 pessoas, 287 vítimas a mais do que o registrado na quinta (30).

O retrocesso foi associado ao crescimento da taxa de ocupação hospitalar nas cidades de Cajati, Registro e Pariquera-Açu.

"O Vale do Ribeira tem uma população muito menor do que as outras regiões. Então, apesar de números absolutos poderem ser pequenos, variações podem ser muito grandes e isso acaba refletindo numa mudança significativa nos indicadores. É possível que, nas próximas semanas, a gente tenha uma mudança importante e positiva nesta região", disse o coordenador do Centro de Contingência, Paulo Menezes.

Politização da vacina

Doria também comentou a fala do presidente sobre o acordo do governo federal para a produção da vacina em desenvolvimento pela Universidade de Oxford, em que o presidente ironizou a origem da vacina chinesa que está sendo testada pelo Instituto Butantã.

Bolsonaro disse que o produto era de Oxford, "Não é daquele outro país não, tá ok, pessoal? É de Oxford", disse.

O governador reagiu associando a fala a visões ideológicas do presidente "Nós não tratamos o tema da vacina sobre o prisma ideológico. Nem poderia. Nós estamos cuidando da ciência e da proteção da vida das pessoas, e não de análise política e de regime político ou ideológico. Lamento que o presidente Bolsonaro tenha feito um comentário dessa natureza", disse Doria.

A vacina da universidade britânica, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, está sendo testada no Brasil em estudo liderado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e o governo federal assinou protocolo de intenção para receber doses, com posterior produção nacional. Contudo, ainda não há um acordo formal chancelado pelo governo.

Já o governo de São Paulo, por meio do Instituto Butantan, está liderando estudo com a potencial vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac Biotech, num acordo que também prevê envio de doses da vacina ao Brasil e posterior transferência de tecnologia para produção local.

"Torço para que a vacina inglesa, a vacina de Oxford, também seja aprovada na sua terceira fase de testes e possa ser utilizada aqui no Brasil, assim como em outros países, para salvar vidas. Assim como a CoronaVac, a vacina produzida pelo Instituto Butantan juntamente com o laboratório chinês Sinovac", acrescentou.

(Com informações do Estadão Conteúdo e da Reuters)