MPF vai denunciar Baldy e defesa pedirá saída de Bretas do caso

Ele é acusado de fazer parte de um esquema que desviava recursos na Saúde envolvendo órgãos federais

Caio Junqueira
Thais Arbex
10 de agosto de 2020 às 18:25 | Atualizado 10 de agosto de 2020 às 18:53

O Ministério Público Federal vai apresentar nos próximos dias denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro contra o secretário licenciado de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Alexandre Baldy. Ele será acusado formalmente de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é muito próximo ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do governador paulista, João Doria (PSDB). Ele também foi ministro das Cidades durante o governo Michel Temer (MDB). 

A denúncia está praticamente pronta e foi reforçada pelo material apreendido na semana passada que, segundo os procuradores, reforçam o crime de lavagem de dinheiro. Foram apreendidos no total R$ 250 mil em três imóveis dele. Chamou a atenção dos investigadores que Baldy, embora tenha dito que todo o dinheiro foi declarado às autoridades fazendárias, não apresentou a declaração formal desses. O secretário licenciado também se recusou a oferecer senha do seu celular, o que para os procuradores demonstra pouca "postura colaborativa". 

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Baldy teve a prisão decretada na semana passada pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio. Ele é acusado de fazer parte de um esquema que desviava recursos na Saúde envolvendo órgãos federais, entre eles a Fiocruz, e a organização social Pró-Saúde. De acordo com informações da PF e do Ministério Público Federal, os agentes investigam o "pagamento de vantagens indevidas a organização criminosa que negociava e intermediava contratos em diversas áreas". O ex-ministro utilizava sua influência política para nomear pessoas em órgãos públicos. Uma vez lá, elas eram usadas por ele como intermediários para a contratação de empresas que participavam do esquema, como a Pró-Saúde. Baldy é suspeito de ter recebido percentuais desses contratos, sob a forma de propina.

Ele foi preso, mas depois o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes o soltou. Agora, com a iminência da denúncia, a defesa de Baldy vai entrar com um recurso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região para que o caso saia das mãos do juiz Marcelo Bretas. Segundo a CNN apurou, os advogados de Baldy vão pedir que o processo seja deslocado para São Paulo, e fique sob a jurisdição do Tribunal Regional Federal — ou seja, na segunda instância. Entre os argumentos que serão apresentados, está o de que Baldy, na condição de secretário de Estado, tem direito ao foro privilegiado. A defesa também vai alegar que os fatos que embasaram a prisão têm relação com períodos eleitorais.