Em delação, Dario Messer mencionou lavagem de dinheiro usando criptomoedas


Leandro Resende, da CNN, no Rio
13 de agosto de 2020 às 14:09 | Atualizado 13 de agosto de 2020 às 16:08

No acordo de delação premiada que celebrou com procuradores do Ministério Público Federal e com a Polícia Federal, o doleiro Dario Messer revelou a existência de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o uso de criptomoedas - uma nova técnica para evasão de divisas.

A CNN apurou com fontes que conhecem o acordo histórico, que prevê a devolução de R$ 1 bilhão, que Messer relatou um novo filão de crimes cometidos moedas virtuais, como o bitcoin. Inquéritos serão abertos com este foco a partir de agora, que a delação foi homologada. Messer relatou não ter usado o esquema, mas revelou o perfil dos criminosos: jovens, com amplo domínio de computadores e operam muitas vezes fora do Brasil. 

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Messer é réu da Lava Jato no Rio de Janeiro por lavagem de dinheiro e outros crimes. Membros do MPF e da PF no Rio celebraram este acordo como “inédito” na história da investigação. No acordo, o doleiro dos doleiros abre mão de quase a totalidade de seu patrimônio e se compromete a entregar imóveis na Zona Sul do Rio de Janeiro; terrenos e fazendas no Paraguai; obras de arte e um apartamento em Nova Iorque.

A dificuldade para o cumprimento do acordo está no fato de que os governos de Brasil e Paraguai precisarem sentar para conversar sobre como dividirão o montante. Messer também é réu em ações penais que tramitam no país vizinho. 

Messer menciona políticos do Rio de Janeiro e empresários como tendo se beneficiado de seu esquema de lavagem de dinheiro e envio de remessas para o exterior. 

Pena de 3 anos após acordo

Há, ainda, o compromisso de entregar US$ 17 milhões encontrados em uma conta nas Bahamas. Messer poderá usufruir de um apartamento na Zona Sul do Rio  e de cerca de R$ 1 milhão. Antes disso, porém, irá cumprir pena de 3 anos em regime fechado e no máximo 18 anos de pena. 

Investigadores celebraram o fato de ser uma pena considerada dura mesmo para os padrões da Operação Lava Jato. Chamado de "o doleiro dos doleiros", Messer foi o principal alvo da operação "Câmbio, Desligo", desdobramento da Lava Jato em 2018, que investigava um sistema de transações ilegais de câmbio em 52 países.