Em evento sobre pandemia, Bolsonaro defende cloroquina e critica jornalistas


Marcos Amorozo, Cristina Kos e Rudá Moreira, da CNN, em Brasília
24 de agosto de 2020 às 12:49 | Atualizado 24 de agosto de 2020 às 14:37

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da hidroxicloroquina para o combate ao coronavírus. Bolsonaro também afirmou que, se contaminados pela covid-19, os integrantes da imprensa têm “chance menor” de sobreviver do que ele próprio. 

As afirmações foram feitas na manhã desta segunda-feira (24), durante o discurso presidencial no evento “Brasil vencendo a COVID-19”. Ao discursar para médicos que receitam o medicamento à base de hidroxicloroquina aos infectados pelo novo coronavírus, Bolsonaro reconheceu que a cloroquina não tem comprovação científica. No entanto, afirmou que “pior que uma decisão mal tomada, é uma indecisão” e que estudou “o que acontecia em outros países do mundo” para se orientar.

 

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O presidente Jair Bolsonaro durante evento 'Encontro Brasil vencendo a Covid-19'

O presidente Jair Bolsonaro durante evento 'Encontro Brasil vencendo a Covid-19', no Palácio do Planalto

Foto: TV Brasil/Reprodução/CNN (24.ago.2020)

O presidente relembrou, ainda, as etapas necessárias para aprovar o protocolo de uso do medicamento no país desde a saída de Luiz Henrique Mandetta do governo. O ex-ministro da Saúde era contra o uso da substância por não ter eficácia comprovada cientificamente. Bolsonaro ainda disse que escolheu o general de Exército Eduardo Pazuello para assumir a pasta interinamente, pois entendeu que “precisava de um gestor lá”.

“Fomos vendo, devagar, que existia-se uma sinalização que, se ministrando esse protocolo [hidroxicloroquina com azitromicina], as pessoas tinham muito mais chances de sobreviver. Aqui neste prédio, 200 e poucos servidores foram acometidos pela COVID-19. Pelo o que eu fiquei sabendo, a grande maioria - senão todos - usaram a hidroxicloroquina. Nenhum foi internado. Mais de 10 ministros pegaram a COVID-19 e se trataram - com receita médica - com hidroxicloroquina. Nenhum foi hospitalizado. A observação é que está dando certo. Eu sempre via no Mandetta que não tem comprovação científica. Eu sei que não tem”, declarou Jair Bolsonaro.

No evento, Bolsonaro voltou a atacar jornalistas – ontem disse a um repórter de O Globo que tinha vontade “de encher tua boca de porrada”. Hoje o presidente afirmou que os jornalistas teriam menos chances de sobreviver à doença do que ele próprio, e voltou a falar do seu “histórico de atleta”. “Aquela história de atleta, né, que pessoal da imprensa vai pro deboche, mas quando pega em um bundão de vocês a chance de sobreviver é bem menor, só sabe fazer maldade, usar a caneta com maldade em grande parte, tem exceções aqui né, como Alexandre Garcia. A chance de sobreviver é bem menor que a minha. E quem falou gripezinha, foi o Dráuzio Varella, deixar bem claro aí.” Convidado por Bolsonaro para participar do evento, o jornalista Alexandre Garcia é comentarista do quadro “Liberdade de Opinião”, da CNN Brasil.

Ao fim do discurso, o presidente agradeceu aos médicos por estarem receitando cloroquina aos pacientes. “Vocês salvaram, sim, milhares e milhares de vidas pelo Brasil. Se a hidroxicloroquina não tivesse sido politizada, muitas vidas poderiam ter sido salvas dessas 115 mil que o Brasil chegou neste momento. Quero agradecer os senhores pela decisão tomada lá atrás. Uma coisa é certa: dos fracos, covardes e omissos, a história jamais se lembrará. Nós nos lembraremos, sempre, de todos vocês”, concluiu..

O Ministério da Saúde confirmou nesse domingo (23) um total de 23.421 novos casos da Covid-19, com 494 novas mortes. O Brasil totaliza mais de 3,6 milhões de casos – 3.605.783 diagnósticos positivos – e 114.744 mortes.