Witzel atribui indicação de secretário investigado a F. Bolsonaro; senador nega

Segundo governador afastado, Léo Rodrigues (Ciência e Tecnologia) foi escolhido como parte de acordo para que PSL integrasse base aliada na Alerj

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
31 de agosto de 2020 às 19:13 | Atualizado 31 de agosto de 2020 às 20:03

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou, em entrevista exclusiva à CNN, na noite desta segunda-feira (31), que o secretário de Ciência e Tecnologia, Léo Rodrigues, foi escolhido por indicação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

O senador e filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi às redes sociais negar a indicação.

Rodrigues foi alvo de operação da Polícia Federal, suspeito de receber propina por parte do empresário Mário Peixoto. O secretário é o segundo suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, eleito em chapa com ele em 2018.

Segundo Witzel afirmou à CNN, a escolha de Léo Rodrigues e de mais um secretário indicado no início do governo foi feita por Flávio Bolsonaro como parte de um acordo para que o PSL integrasse a base aliada do governo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

"O secretário Léo Rodrigues, que é o secretário da Ciência e Tecnologia, foi indicado, no início do governo, pelo próprio Flávio Bolsonaro", disse o governador afastado, questionado sobre a suposta influência de Mário Peixoto na gestão estadual.

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Em sua conta no Twitter, Flávio Bolsonaro afirmou que "Léo Rodrigues e Gutemberg Fonseca foram escolhas dele". "Ambos me perguntaram se eu teria óbice. Disse que a decisão era deles e não minha", publicou o senador.

Flávio Bolsonaro acusou Wilson Witzel de estar executando uma "estratégia infantil" para vinculá-lo ao esquema de corrupção investigado pelo Ministério Público. 

Mário Peixoto

"A minha relação (com Mário Peixoto) é zero, nenhuma", disse Witzel, entrevistado pelos âncoras Daniel Adjuto, Daniela Lima e Carol Nogueira e pelos colunistas Leandro Resende e Renata Agostini. 

"Comigo, não. Eu não tenho nenhuma relação com esse empresário e, no meu governo, ele não tem influência nenhuma", completa, ressalvando que não tem informações sobre eventual relação de assessores e secretários.

Witzel tratou das acusações feitas a ele pelo ex-secretário estadual da Saúde Edmar Santos. O governador afastado disse ser inocente das suspeitas de desvios na área da saúde e responsabilizou Edmar pelo suposto esquema.

Secretários

Outros dois nomes próximos a Witzel são citados na investigação. Um é o advogado Lucas Tristão, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, apontado como um dos potenciais elos entre Witzel e Mário Peixoto, tendo sido advogado do empresário.

O governador afastado afirma que orientou Tristão em seu trabalho como advogado em função da sua carreira de juiz e que, entre os casos que ajudou o ex-secretário, estava o de Peixoto, mas que não teve nenhuma proximidade com o empresário em função disso.

O outro é o de Pedro Fernandes, secretário estadual da Educação. Segundo o ex-secretário afirmou em delação premiada, o empresário Mário Peixoto mantinha influência na pasta comandada por Fernandes.

A respeito dessa alegação, o governador afastado negou participação do empresário na escolha do secretário, que Witzel teria conhecido durante a campanha eleitoral.

Pedro Fernandes concorreu a governador do Rio em 2018 pelo PDT, apoiando Wilson Witzel no segundo turno. No segundo turno, apoiou o então candidato do PSC, filiando-se ao partido na sequência.