Servidores públicos preparam reação à reforma administrativa


Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
01 de setembro de 2020 às 21:56 | Atualizado 02 de setembro de 2020 às 07:05

Com dificuldade de diálogo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, grupos de servidores públicos passaram a buscar ministros associados à chamada ala desenvolvimentista para discutir a reforma administrativa.

É o caso dos ministros do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que já foi parte da equipe de Guedes, e da secretaria geral da Presidência, Jorge Oliveira. 

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O objetivo é atenuar o texto e emplacar alternativas como a fusão de carreiras, e cortes de custeio, para rebater o risco de redução de jornada e de salários.

Diante da decisão do governo de enviar a reforma nesta quinta-feira ao Congresso, grupos sindicais aceleraram encontros das categorias para esta semana.

O governo fala na economia de R$ 500 bilhões em dez anos. Mas há dúvidas como isso será alcançado, e ainda questionamentos sobre os critérios que vão medir o desempenho do servidor e como a proposta irá impactar apenas quem ingressar no funcionalismo  no futuro.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) se reúne, nesta quarta-feira, virtualmente. O Fórum Nacional Permanente das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) e a Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (Frentas) marcaram para quinta, também de forma remota.

As chamadas carreiras típicas de estado são atividades exclusivamente desempenhadas por servidores do quadro público, como advogados públicos, auditores e oficiais do Itamaraty.

"Dependendo de como a reforma for, pode acabar desmantelando as carreiras. Num momento em que não tem perspectiva de concurso público, como a reforma não terá efeitos na vida de quem já está trabalhando? O governo diz que não irá atingir direitos garantidos mas ninguém sabe o que tem na proposta", afirmou à CNN, Marcelino Rodrigues, presidente da Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais (Anafe) e Secretário-Geral da Fonacate.

Ao marcar data para o envio da reforma, o ministro Guedes falou da meritocracia e que o texto não mexerá nos direitos dos servidores atuais. “A reforma administrativa é importante, não atinge os direitos mas redefine o sistema”, disse.