Toffoli: Abertura de inquérito das fake news foi decisão mais difícil da gestão


Gabriela Coelho, da CNN, em Brasília
04 de setembro de 2020 às 13:39 | Atualizado 04 de setembro de 2020 às 15:00

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, afirmou nesta sexta-feira (4) que a abertura do inquérito das fake news foi a decisão mais difícil da gestão dele. Toffoli deixa o comando da Corte no dia 10 de setembro, quando será substituído pelo ministro Luiz Fux.

“Aqueles que estudaram a história do Brasil sabem e têm noção que não foi uma decisão fácil. Foi a decisão mais difícil da minha gestão a abertura do inquérito. A gente viu o início de uma política de ódio que quer destruir instituições e instalar o caos”, afirmou.

O inquérito foi aberto em abril do ano passado, de ofício, por Toffoli, e apura ameaças a notícias falsas contra ministros da Corte.

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O presidente do STF, ministro Dias Toffoli

O presidente do STF, ministro Dias Toffoli

Foto: Rosinei Coutinho - 1º.jul.2020/STF

Sobre a operação Lava Jato, Toffoli afirmou que “não haveria Lava Jato se não fosse o Supremo Tribunal Federal”. Segundo ele, as operações anticorrupção existem por causa das diversas leis que autorizaram a delação premiada e os acordos de leniência. E por causa de decisões do STF.

“Quem deu poder de investigação ao MP foi o Supremo Tribunal. Não existiria Lava Jato se não houvesse esse diálogo e elaboração de leis e se não fosse o STF. O que não se pode ter é abuso e escolher quem você vai investigar e deixar investigações na gaveta. O vazamento não pode acontecer. Quando o STF decide pela suspensão de alguma gestão, é porque houve abuso”, afirmou.

O ministro disse também que os ataques às instituições acontecem tanto de apoiadores do presidente quanto de parlamentares e até de integrantes do governo.

“Mas o presidente fez até a troca de ministro que disse que tinha que prender ministros do Supremo. Mandou embora. No relacionamento que tive com o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros, nunca vi diretamente nenhuma atitude contra a democracia. Além disso, tive uma ‘convivência mais intensa’ com Bolsonaro nos últimos anos para fazê-lo compreender que cabe ao Supremo declarar inconstitucional determinadas normas e cabe a ele respeitar. E ele respeitou”, afirmou.