Crivella nega amizade com irmão de ex-presidente da Riotur; assista íntegra

Prefeito do Rio de Janeiro falou à CNN sobre acusações do Ministério Público do Rio de Janeiro contra ele

Da CNN
13 de setembro de 2020 às 13:07 | Atualizado 13 de setembro de 2020 às 18:10

 

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), nega todas as acusações feitas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) referentes à investigação que mira um suposto esquema de corrupção na prefeitura. 

Em entrevista à CNN neste domingo (13), Crivella disse que teve acesso ao processo, que corre em sigilo, e não foi constatada "acusação nenhuma".

"Tudo papo furado. Eu tenho o processo que estava em supersigilo, mas os meus advogados tiveram acesso. Li todos os anexos, não tem acusação nenhuma", afirmou.

A CNN teve acesso ao documento do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) assinado pelo subprocurador-geral de Justiça de Assuntos Criminais e Direitos Humanos, Ricardo Ribeiro Martins. 

Na quinta-feira (10), Crivella foi alvo de um dos 22 mandados de busca e apreensão cumpridos por agentes da Polícia Civil e do MPRJ. Ele teve o celular apreendido e classificou a ação como "um exagero".

 

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A ação foi um desdobramento da Operação Hades, que aconteceu em março e mirou Marcelo Alves, antigo presidente da Empresa Municipal de Turismo do Rio (RioTur), e o irmão dele, o empresário Rafael Alves.

"O Rafael é do meu partido, eu o conheci no PRB (atual Republicanos), ele era candidato a prefeito em Angra dos Reis. Na época eu era senador e ele pediu que eu fosse lá dar apoio em Angra dos Reis. Ao meu ver, é uma pessoa honesta, honrada, conheço a filha dele, o pai e o irmão dele, que tem uma experiência enorme, fez uma gestão espetacular na RioTur", explicou Crivella à CNN neste domingo.

"Não tenho relações pessoais com Rafael. Às vezes, eu o vi na igreja onde eu prego todo domingo, estou na igreja da Barra e já o vi algumas vezes. Não tenho negócios com ele, não sou sócio dele, não facilitei nenhum pagamento. Basta ver na transparência da prefeitura."

 

Marcelo Crivella, prefeito do Rio de JaneiroMarcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, falou à CNN sobre acusações do Ministério Público (13.set.2020) | Foto: CNN Brasil

 

Rede Globo

Ainda na entrevista, Crivella acusou a Rede Globo de atuar como "partido de oposição" ao governo dele. "[Ela] diz que o promotor falou, que está escrito isso no processo... qual o nome do promotor? Não existe. Por isso pedi à juíza ontem para que quebre o sigilo e toda a imprensa possa saber das besteiras e bobagens que estão escritas ali."

Procurada pela CNN, a Globo afirma que "o prefeito Marcelo Crivella criticou a reportagem da Globo sobre as denúncias do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil e afirmou que elas têm o objetivo de interferir no processo eleitoral. Em suas reportagens, a Globo foi absolutamente fiel ao que afirmaram os procuradores e aos documentos que embasaram a operação, sem nenhum outro objetivo senão o de informar o público". 

 

Ministério Público do Rio: legalidade e transparência

Em nota, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) confirma que "a medida cautelar de busca e apreensão foi assinada pelo subprocurador-geral de Justiça de Assuntos Criminais e Direitos Humanos, Ricardo Ribeiro Martins, que coordena todas as investigações da atribuição originária do Procurador-Geral de Justiça, atuando sempre por delegação". 

O MP explica que o processo ainda está sob sigilo, o que impede o compartilhamento do procedimento. 

"Esclarece o MP estadual que, na sexta-feira (11/09), encaminhou à desembargadora relatora do 1º Grupo de Câmaras Criminais do TJRJ, requerimento para levantamento do sigilo a fim de garantir ampla divulgação do feito. Essa petição foi juntada aos autos no final do dia 12/09 e aguarda decisão."

O Ministério Público do Rio afirma também que as investigações e a decisão da desembargadora  "encontram-se amparadas na mais absoluta legalidade e transparência, nos moldes exigidos pelo Estado de Direito. Qualquer tentativa de politização ou polarização do caso mostra-se despida de qualquer base fática". 

A CNN aguarda retorno do senador Romário (Podemos) e do empresário Rafael Alves, também citados na entrevista pelo prefeito Marcelo Crivella.

 

(Edição: Marcio Tumen Pinheiro)