Governador em exercício do Rio antecipa mudança no secretariado

Mudança ocorreria nos últimos dias do mês, quando a Assembleia Legislativa deverá aprovar o início da segunda fase do processo de impeachment de Witzel

Fernando Molica
Por Fernando Molica, CNN  
14 de setembro de 2020 às 11:23
O governador em exercício Cláudio Castro, que assumiu o governo do Rio de Janeiro após o afastamento de Wilson Witzel
Foto: Reprodução/CNN (4.set.2020)

O governador em exercício do Rio, Cláudio Castro (PSC), decidiu antecipar a substituição de nomes do seu secretariado. A mudança ocorreria nos últimos dias do mês, quando a Assembleia Legislativa deverá aprovar o início da segunda fase do processo de impeachment do governador afastado, Wilson Witzel (PSC). 

Os três primeiros nomes deverão ser anunciados no início desta semana. Preso na última sexta-feira, acusado de comandar um esquema de corrupção na Fundação Leão XIII, do governo do estado, o secretário de Educação, Pedro Fernandes, é um dos que serão substituídos.

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Dois fatores foram decisivos para a mudança de datas: a prisão de Fernandes e a notícia de que Castro foi citado em delação premiada que apura o esquema de corrupção. Em depoimento ao Ministério Público do Rio, o empresário Bruno Campos Selem, um dos denunciados, afirmou que Castro, quando foi vereador, recebeu propinas relacionadas ao um projeto social da prefeitura do Rio.

Na avaliação do governo, a mudança no secretariado ajudará a consolidar a imagem de Castro como chefe do poder executivo fluminense e servirá para interromper a sequência de notícias negativas. 

Afastado do governo por decisão do Superior Tribunal de Justiça, Witzel deverá sofrer punição semelhante por parte da Assembleia Legislativa - a legislação prevê que o governador deixe suas funções durante a fase decisiva do impeachment.

Há no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, preocupação com uma outra delação, a de Marcus Vinícius Azevedo da Silva,  ex-assessor de Castro na Câmara Municipal e também denunciado pelo MP no caso da Fundação Leão XIII.

Feita na Procuradoria-Geral da República, a delação está para ser homologada pelo ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal. Como a CNN revelou, entre os delatados estão um senador, dois deputados federais e dois integrantes do Tribunal de Contas do Estado.