Barros recebeu R$ 5 milhões para intermediar venda de empresa, diz delação

Executivos da Queiroz Galvão afirmam que atual líder do governo recebeu parte da quantia em espécie

Leonardo Lellis Da CNN, em São Paulo
16 de setembro de 2020 às 18:08 | Atualizado 16 de setembro de 2020 às 18:42

O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, é acusado de receber R$ 5 milhões de reais pela intermediação da venda de ativos da empresa São Bento Energia à Copel (estatal de energia do Paraná), quando o parlamentar era Secretário Estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul no do Paraná. De acordo com a delação premiada de dois executivos da empreiteira Galvão Engenharia, que detinha o controle da São Bento, os pagamentos foram feitos em espécie e por meio de doações eleitorais ao PP. 

As suspeitas foram apontadas pelo Ministério Público do Paraná e basearam a decisão que autorizou uma operação em endereços vinculados ao deputado na cidade de Maringá (PR) nesta quarta-feira (16). A ação, batizada de operação Volt, também cumpriu mandado de busca e apreensão de documentos, eletrônicos, telefones celulares e eventuais valores em São Paulo.

“A investigação apura os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção para facilitar negócio no ramo de energia eólica”, disse o MP na denúncia. De acordo com a decisão a que a CNN teve acesso, Eduardo Queiroz Galvão declarou que Ricardo Barros recebeu um total R$ 1,55 milhão em espécie por intermediar a alienação das quotas da São Bento Energia. A empreiteira vendeu 49,9% de sua participação na empresa à estatal paranaense em 2011. Em 2013, foram vendidos os 50,1% remanescentes.

Segundo a delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal, este pagamento foi fracionado em quantias de R$ 150 mil, R$ 400 mil e R$ 200 mil entre outubro de 2013 e março de 2014.

Ainda de acordo com a delação premiada de Galvão e Jean Alberto Luscher Castro, Barros determinou o restante do pagamento do restante (R$ 3,53 milhões) por meio de doações eleitorais oficiais ao Partido Progressista no ano de 2014.

Segundo a decisão, os dois executivos apresentaram "diversos elementos" que corrobaram o que foi afirmado no acordo de delação, como registros de reuniões, comprovantes de passagem aérea, e-mails e comprovantes de doações eleitorais.

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Escritório do deputado Ricardo Barros é alvo de operação

"Além disso, enfatizo que os ex-executivos do Grupo Galvão disseram que Ricardo Barros demonstrava influência e ascendência sobre agentes públicos da estatal", afirmou a juíza Cristine Lopes, ao autorizar a operação.

"Assiste razão ao Ministério Público ao afirmar que os elementos probatórios angariados no transcorrer da investigação sustentam os depoimentos prestados pelos colaboradores, restando necessária a coleta de provas que demonstrem de forma mais aprofundada os destinos dos valores pagos a título de propina pela empresa GALVÃO ENGENHARIA S.A.; permitam a individualização pormenorizada das condutas dos investigados e a complementação do panorama fático relacionado a cada pagamento realizado."

O deputado manifestou-se por meio de nota. "A delação da empresa Galvão Engenharia foi vazada à imprensa no dia 14 de agosto, dois dias depois de Barros ser anunciado líder do Governo na Câmara. Na época do vazamento, Ricardo Barros solicitou ao STF e não obteve acesso ao processo. Quanto aos depósitos citados pelo Ministério Público, estes têm origem lícita e não têm nenhuma relação com a investigação. Os valores repassados pela Galvão são de doações oficiais de campanha de 2014. Ricardo Barros, relator da lei de abuso de autoridade, repudia o ativismo político do judiciário, destacando que a operação feita hoje, relacionada a fatos de 2014, foi justamente no último dia das convenções partidárias", disse.