Senadores aprovam convite para Ernesto Araújo esclarecer visita de Pompeo

Ministro comparecerá ao Senado nesta quinta-feira (24), confirmou o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad (PSD/MS)

Tainá Farfan e Marilia Ribeiro
21 de setembro de 2020 às 10:37 | Atualizado 21 de setembro de 2020 às 12:52

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, prestará esclarecimentos aos senadores nessa quinta-feira (24), às 10 horas, sobre a visita do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, às instalações da Operação Acolhida, em Roraima, na fronteira com a Venezuela, que aconteceu na sexta-feira (18). Pompeo participou de visita junto do ministro Ernesto Araújo.

O requerimento de convite, apresentado pelo senador Telmário Mota (PROS/RR), foi aprovado pelos senadores nesta segunda-feira (21), durante sessão semipresencial da Comissão e Relações Exteriores.

Segundo o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad (PSD/MS), está confirmada a presença do ministro Ernesto Araujo na Comissão de Relações Exteriores e o ministro irá pessoalmente à comissão.

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O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo
Foto: Luis Echeverria/Reuters (19.fev.2020)

O senador Fernando Bezerra (MDB/PE), líder do governo no Senado, apresentou, durante a sessão, a posição do Planalto sobre a visita do secretário dos Estados Unidos.

“A passagem (do secretário) pelo Brasil teve por objetivo, segundo o próprio departamento de estado norte-americano, reafirmar a parceria estratégica entre os dois países no enfrentamento de desafios comuns no hemisfério. Nesse contexto, o encontro entre o ministro Ernesto Araújo e o secretário Mike Pompeo não constitui evento isolado e precisa ser analisado do ponto de vista mais amplo na parceria estratégica entre o Brasil e os Estados Unidos. Em reuniões desta natureza, é praxe que haja intercâmbio de opiniões e troca de impressões a respeito da situação econômica, política e social em diferentes países, particularmente naqueles da região.... O encontro não trouxe novidade quanto às conhecidas posições do Brasil e Estados Unidos a respeito do regime de Nicolas Maduro e da grave crise humanitária, política e econômica porque passa o país sobre esse regime”, disse o líder do governo no Senado. 

O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho, destaca que ainda é preciso explicações por parte do ministro.

“O Ernesto Araújo precisa explicar a presença do secretário de estado americano Mike Pompeo em Roraima. Em nosso ponto de vista, foi um tapa na cara da soberania nacional. Porque vimos que a intenção desta visita é inviabilizar as eleições nos países vizinhos, que possuem conflitos ideológicos com os EUA e investir no conflito regional. E qualquer discussão nesta direção, coloca o Brasil em risco. Expõe os brasileiros a mais prejuízos. E queremos explicações”, afirma o senador.

O senador Marcos do Val (Podemos/ES), vice presidente da Comissão de Relações Exteriores, destacou que um convite também foi feito ao ministro Paulo Guedes e até o momento não teve resposta, “me sinto, como senador da República, constrangido por essa falta de atenção ao Senado Federal”, disse.

Repercussão na Câmara

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também reagiu, na sexta-feira (18), à visita do secretário norte-americano, que aconteceu um mês e meio antes das eleições norte-americanas. Maia criticou a visita, o que, segundo ele, “não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa”.

A deputada Perpétua Almeida, líder do PCdoB na Câmara, apresenta, nessa segunda-feira (21), um requerimento de convocação do ministro Ernesto Araujo na Câmara dos Deputados. Para a convocação acontecer na Casa, o requerimento ainda precisará ser pautado e votado em plenário.

“Não se pode admitir uma ingerência externa que coloque em risco os preceitos da integração pacífica em nossa região. Vale lembrar que, historicamente, somos favoráveis à resolução pacífica dos conflitos e autodeterminação dos povos”, afirma a deputada Perpétua Almeida.