Crivella diz que vai recorrer contra inelegibilidade determinada pelo TRE

Prefeito afirma que votação foi 'contaminada' por 'conflito de interesses' de um dos sete desembargadores que votaram para que ele fique inelegível

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
24 de setembro de 2020 às 17:33 | Atualizado 25 de setembro de 2020 às 09:07

O prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (Republicanos), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (24) que vai recorrer contra a decisão que determinou a sua inelegibilidade até 2026.

Por 7 votos a 0, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) o condenou a oito anos sem poder disputar eleições. Como a contagem se inicia em 2018, quando foram praticadas as supostas irregularidades, o prazo se encerra em 2026.

Em nota, a defesa afirma que considera que "o prefeito Crivella não está, de forma alguma, impedido de disputar as eleições, e vai concorrer à reeleição."

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O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (19.jun.2020)

Crivella ainda afirmou que "estuda um pedido de anulação" da votação que, segundo a defesa, teria sido "contaminada".

Apesar de ter sido condenado por unanimidade, o político afirmou que um dos desembargadores que votaram contra ele, Gustavo Alves Pinto Teixeira, teria interesses na votação por ser "advogado da Lamsa – concessionária contra a qual o prefeito luta na Justiça para pôr fim ao preço exorbitante do pedágio na Linha Amarela."

"Note-se ainda que, após decisão judicial, Crivella abriu as cancelas do pedágio na Linha Amarela, tornando-o gratuito durante a pandemia. Isso, enquanto, por dia, a Lamsa faturava R$ 1 milhão com a cobrança abusiva. É notória, portanto, a contaminação da votação", completou.

Procurado pelo TRE-RJ, o desembargador eleitoral Gustavo Teixeira afirma que "a lei orgânica da magistratura, em seu art. 36, veda ao magistrado manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo".

Teixeira argumenta, no entanto, que "todas essas questões já foram debatidas nos autos e no julgamento da causa."

Acusação

Crivella foi julgado pela acusação de uso da frota da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) para um evento, na quadra da escola de samba Estácio de Sá, Zona Norte do Rio, com a presença do prefeito e de candidatos às eleições de 2018.

Entre eles, o filho Marcelo Hodge Crivella, candidato a deputado federal, quinto suplente naquela eleição, e Alessandro Costa, então aspirante a deputado estadual, também não eleito. 

Na segunda-feira, foi finalizado o julgamento de outra acusação, relativa ao evento conhecido como “Café da Comunhão”, quando Crivella recebeu pastores no Palácio da Cidade, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Era um evento sigiloso, combinado por WhatsApp. 

O encontro ocorreu em julho de 2018. Na época, o prefeito foi acusado de oferecer facilidades a pastores para que fiéis tivessem acesso a serviços de saúde, como cirurgias de varizes e catarata.

O episódio que ficou conhecido pelo bordão “Fala com a Márcia”, funcionária que, na ocasião, o prefeito pediu para que os líderes religiosos procurassem, em busca de supostas facilidades. 

Uma CPI sobre o assunto chegou a ser formada na Câmara Municipal, mas não encontrou provas contra o prefeito.