Marco Aurélio diz ver despacho de Celso com 'bons olhos', mas alfineta colega

Celso de Mello retirou da pauta do STF o recurso de Jair Bolsonaro para depor por escrito à PF

Por Igor Gadelha, CNN  
30 de setembro de 2020 às 08:42 | Atualizado 30 de setembro de 2020 às 11:59

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, reagiu à decisão do decano Celso de Mello de retirar da pauta o recurso de Jair Bolsonaro contra o depoimento presencial no inquérito que apura suposta interferência política do presidente na Polícia Federal.

Em decisão publicada na noite desta terça-feira (29), Celso, que é o relator original do caso, não só retira o recurso de pauta, como destaca que Marco Aurélio não poderia ter submetido o pedido de Bolsonaro ao plenário virtual do STF, como fez enquanto atuou como relator substituto.

Leia também:
Decisão de Celso de Mello permite que Moro seja ouvido
Decisão de Marco Aurélio irrita ministros e divide STF

O decano da corte também informou que pediria ao presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, para marcar o julgamento do recurso no plenário convencional, com “ampla publicidade”, para que possa ser assistido “em tempo real por qualquer cidadão”.

O ministro Marco Aurélio Mello durante sessão do STF
Foto: Adriano Machado/Reuters (17.out.2020)

“Vejo com bons olhos. Quanto maior publicidade, melhor. Que prevaleça o bom direito. A minha parte eu fiz. Agora vamos aguardar o crivo do colegiado”, afirmou à CNN Marco Aurélio, que atuou como relator substituto do caso enquanto Celso estava de licença médica. 

Marco Aurélio ressaltou também que, enquanto substituiu o relator, não apreciou o “acerto ou desacerto” de Celso. “Simplesmente congelei a situação em termos de depoimento do presidente da República e inseri no colegiado para deliberação”, justificou.

Alfinetada


O vice decano do STF, porém, aproveitou para dar uma alfinetada no colega. Ele afirmou que teve de dar o “ponta pé inicial” porque estava como relator e assim fez com “relatório e voto”. “Penso que em um voto um tanto quanto fundamentado”, disse.

“Não com a fundamentação do ministro Celso, que, na decisão que proferiu, compelindo o presidente a comparecer ou receber o delegado da Polícia Federal no Planalto, ocupou 64 folhas. Não precisei de tanto e não teria nem tempo para escrever tanto como ele escreveu”, emendou.