Pandemia aumenta importância do rádio e TV nas eleições, prevê especialista


Da CNN, em São Paulo
08 de outubro de 2020 às 22:38 | Atualizado 08 de outubro de 2020 às 23:41

Começa nesta sexta-feira (9) o horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio. A CNN ouviu especialistas para saber qual será a influência dessas propagandas nos eleitores, já que a nossa rotina mudou – e muito – por causa da pandemia do novo coronavírus, e a corrida eleitoral de 550 mil candidatos pelo Brasil também teve que se adequar à nova realidade. 

A principal mudança está na agenda dos candidatos. Em tempos normais, este período costuma ser de comícios e eventos em bairros, o chamado "corpo a corpo". Com as aglomerações proibidas, a estratégia de campanha vai ter que mudar.

Para Glauco Peres, cientista político da Universidade de São Paulo (USP), os candidatos vão ter que ser criativos.

"Como é que eles chegam no eleitor? Acho que esse vai ser o grande problema. A criatividade, realmente, depende de muita coisa", avalia.

Assista e leia também:

Quem são os candidatos a prefeito de São Paulo nas eleições de 2020?

Quem são os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro nas eleições de 2020?

Quem são os candidatos a prefeito de Belo Horizonte nas eleições de 2020?

Com as pessoas mais tempo em casa na pandemia, a tendência é de que, até a eleição, elas continuem vendo TV e ouvindo rádio para se informar na hora de escolher em quem votar. Essa é a avaliação de Claudio Couto, cientista político da Fundação Getulio Vargas (FGV).

"Mas eu não acho que isso vai produzir uma redução do uso da internet, mesmo porque as pessoas aumentaram muito o uso de internet para trabalhar, estudar e fazer uma série de coisas".

Um levantamento feito pela consultoria Kantar mostrou que durante a pandemia, 17% dos brasileiros passaram a ouvir mais rádio. Já na TV aberta a audiência aumentou 19%. 

Esses dois meios valorizam, por exemplo, os jingles, que podem fazer a diferença para marcar o candidato na memória das pessoas, avalia Couto.

Por isso, não só o horário eleitoral completo, mas também as inserções durante a programação, podem ajudar a fisgar parte dos 147 milhões de eleitores aptos a votar.

A dificuldade maior deve se apresentar nas cidades pequenas, já que milhares delas não terão os candidatos aparecendo na TV ou falando no rádio.

(Edição: Sinara Peixoto)