Major Denice: 'O criminoso é um ser humano. A criminosa, outro ser humano'

Candidata petista à Prefeitura de Salvador falou de suas propostas para a segurança da cidade em entrevista para a CNN

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
23 de outubro de 2020 às 09:25 | Atualizado 23 de outubro de 2020 às 10:11

A candidata do PT à prefeitura de Salvador, Major Denice, afirmou nesta sexta-feira (23), em sabatina à CNN, que o criminoso ou criminosa precisa ser visto como ser humano ao ser questionada sobre que tratamento seu governo daria a transgressores.

"O criminoso é um ser humano. A criminosa, outro ser humano. Este talvez seja um dos diferenciais quando você encontra uma trabalhadora da segurança pública que dialoga e pensa na perspectiva dos direitos humanos", disse.

“Olhamos para a pessoa e vemos a ocorrência, a execução do crime muito mais como uma consequência de falta de políticas públicas (...) O criminoso, a criminosa precisa, além da punição do direito penal, ser oportunizado para que de fato se ressocialize”, completou.

Questionada também sobre como pretende diminuir a violência contra a mulher em Salvador, ela afirmou que pretende criar a Casa Maria da Penha, espaço que reunirá todas as instituições para acolhimento e apoio às vitimas.

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“A violência contra as mulheres, em específico a doméstica, é um crime cultural. E como crime cultural, ele está em nossa sociedade há muito tempo. Nossa sociedade se baseou em dois alicerces muito preocupantes: o patriarcado, que gerou essa pandemia que é o machismo e já matou tantas e tantas de nós, e o racismo. A proposta que trazemos é substituir esses alicerces por igualdade e justiça”, disse a candidata.

Ela também prometeu unir esforços da Guarda Municipal da cidade com as polícias civil, militar e técnica, além de melhorar a formação e dar as ferramentas necessárias contra esse tipo de crime.

“Em paralelo, precisamos trabalhar com prevenção. Tenho a proposta de construir uma ronda cidadã, a exemplo do que fiz na ronda Maria da Penha, essa tropa referência no enfrentamento à violência contra a mulher em todo o país”, completou.

Consequências da Covid-19

Em bloco de perguntas relacionadas às consequências da pandemia do novo coronavírus na cidade, a petista defendeu a vacinação obrigatória contra a doença, assim que um imunizante for aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Eu acredito na vacinação obrigatória porque não estamos pensando apenas na escolha pessoal, é uma escolha social. Temos visto o retorno de algumas doenças por falta de vacina que achávamos que estavam erradicada, como sarampo e pólio, e quando vocês não coloca obrigatoriedade por uma questão de saúde pública, corremos o risco de manter o vírus ativo entre nós”, disse.

A candidata Major Denice, que disputa a Prefeitura de Salvador, capital baiana
Foto: CNN Brasil (23.out.2020)

Já sobre os planos para a retomada do Carnaval na cidade, ela disse que o setor é fundamental, mas que o planejamento para 2021 “deve e vai ocorrer quando Salvador e o país tiverem condições sanitárias”.

A mesma lógica valeria para a retomada das aulas presenciais nas escolas do município. “Temos que pensar nas condições sanitárias de viabilidade. Mas esse retorno deve ser pensado com as famílias e com os servidores da educação. Não podemos ofertar uma retomada das aulas se não for com consenso dessas pessoas e os devidos protocolos sanitários”, disse.

Major Denice afirmou ainda não considerar que 2020 tenha sido um ano totalmente perdido na educação porque, pelo menos, serviu como momento de aprendizado e para mostrar que a rede pública de ensino “não estava conectada com novas dinâmicas sociais, como o mundo digital e as aulas digitais”.

Relações políticas

Perguntada sobre como será sua relação com o governo federal, do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ela prometeu diálogo.

“Defenderei minha cidade, a população da minha cidade, de tudo e de todos. E essa defesa se constrói com o diálogo, se constrói através de exigir nossos direitos e corresponder nossos deveres.”

Ela também afirmou não considerar uma desunião dois partidos de esquerda, PT e PCdoB, terem candidaturas próprias em Salvador, ambas com mulheres negras que, em teoria, disputam parte do mesmo eleitorado.

“Vejo como respeito e autonomia de cada partido, que tem seu exercício democrático de entender e escolher suas estratégias. Além disso, no segundo turno, estaremos toda a esquerda marchando junta para que a gente possa pela segunda vez ter a esquerda cuidado das pessoas [na cidade]”, concluiu.