França propõe cortar cargos em comissão para pagar empregos públicos temporários

Candidato do PSB disse que deixaria desocupados 99% dos cargos opcionais e descarta retornar para as fases mais rígidas do distanciamento social

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
11 de novembro de 2020 às 18:25


O candidato do PSB a prefeito de São Paulo, Márcio França, afirmou nesta quarta-feira (11) que, se eleito, conduzirá um programa voltado a frentes de trabalho emergenciais, custeadas com dinheiro público, para mitigar os impactos econômicos com a pandemia do novo coronavírus. 

Questionado pela âncora Daniela Lima durante sabatina à CNN, França afirmou que o projeto será custeado com o não preenchimento de 99% dos cargos em comissão da Prefeitura de São Paulo.

"No primeiro ano, dos 7 mil cargos, que custam R$ 10 mil por mês, R$ 70 milhões vezes 13, eu vou governar com 1%. É o que é possível. Ou a gente faz isso ou a gente vai ter as pessoas passando fome", disse o candidato.

As vagas propostas por França pagariam R$ 600 por mês, para um trabalho a ser realizado três vezes por semana em assistência a serviços públicos municipais. O postulante do PSB afirma que com o fim do auxílio emergencial há risco de convulsão social.

Assista e leia também:

Quem são os candidatos a prefeito de São Paulo nas eleições de 2020?
Veja como vai ser votar durante a pandemia da Covid-19
O que pode e o que não pode na propaganda eleitoral de 2020?

"Nós teremos manifestações, quebra-quebra. Quando a primeira pedra quebrar uma vidraça, vão pensar no que deve ser feito. Você não pode, como prefeito, esperar acontecer para reagir", disse.

Márcio França afirmou que, se for eleito prefeito de São Paulo, vai concentrar a atuação da cidade contra a pandemia da Covid-19 no custeio de testes, para o isolamento pontual de pessoas infectadas. O candidato disse ser contra novas medidas de quarentena em uma possível nova alta dos casos.

O postulante ainda disse ser a favor da vacina contra a doença do novo coronavírus, mas contra a obrigatoriedade do imunizante. "Ela é obrigatória para todo mundo de bom senso. Todo mundo de bom senso vai tomar a vacina, mas não vamos de casa em casa obrigar", disse.

Candidato à prefeitura de São Paulo, Márcio França (PSB) (11.nov.2020)
Foto: CNN Brasil

Escolas e segurança

O candidato afirmou que, se for eleito, vai adotar um projeto de aulas na rede municipal aos finais de semana e feriados para recuperar o conteúdo perdido com o fechamento das escolas.

"Sei que vão reclamar, mas para abrir a escola precisa ter pulso. Não pode o filho do pobre ficar todo esse tempo sem aulas e depois disputar vagas em concurso com o filho do rico fazendo as mesmas provas", argumentou.

França foi questionado sobre uma crítica ao uso das forças de segurança para brigas entre casais. Segundo o candidato do PSB, a sua referência foi a situações em geral de desentendimentos, não especificamente de casais, nas quais não há violência.

"O Estado e a Prefeitura têm que garantir profissionais diferentes para reagir a isso, como psicólogos. O que é diferente de um caso de violência", afirmou.

Governador de São Paulo entre abril e dezembro de 2018, França disputou a reeleição e terminou em segundo lugar. Perguntado se deixaria o posto de prefeito para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em 2022, o candidato negou. "Eu exerci diversos mandatos e nunca renunciei a nenhum", disse.

Sobre as suas preferências políticas, Márcio França se definiu como "a direita da esquerda", alguém progressista, mas mais ao centro do que outras vertentes de esquerda. Ele se comparou ao presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden. "Talvez tivessem outros candidatos com mais charme, mas para ganhar a eleição você precisa de um pedacinho do outro lado."

Perfil

Márcio França é formado em Direito. Foi vereador e prefeito de São Vicente (SP), deputado federal, secretário estadual do Esporte, Lazer e Turismo e do Desenvolvimento Econômico, vice-governador e governador de São Paulo.

Esta é a primeira vez que é candidato a prefeito de São Paulo. Antes, foi eleito para a Prefeitura de São Vicente em 1996 e 2000 e concorreu a governador de São Paulo nas eleições de 2018, derrotado por João Doria (PSDB) no segundo turno.

Sabatinas CNN

A CNN sabatina nesta semana os seis candidatos a prefeito de São Paulo que ocupam os primeiros lugares nas intenções de voto segundo a última pesquisa do instituto Datafolha, publicada no dia 5 de novembro. Na data da publicação, França aparece em quarto lugar, com 13% das intenções de voto.

Serão sabatinados os candidatos Bruno Covas (PSDB), com 28%; Celso Russomanno (Republicanos), que na pesquisa do dia 5 aparecia em segundo lugar, com 16% das intenções de voto; Guilherme Boulos (PSOL), em terceiro com 14%; Jilmar Tatto (PT), em quinto com 6%; e Arthur do Val - Mamãe Falei (Patriota), com 4%.

A pesquisa Datafolha foi colhida entre os dias 3 e 4 de novembro, ouvindo 1.260 pessoas. O questionário foi registrado sob o protocolo SP-06709/2020, com nível de confiança de 95% e margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Os contratantes são o jornal Folha de S.Paulo e a TV Globo.

A cidade de São Paulo possui 12.325.232 habitantes, sendo 8.986.687 eleitores aptos a votar. São Paulo tem o sexto maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre as capitais brasileiras.