Boulos e Covas debatem segunda onda de Covid, impostos e apoio de Lula e Doria

Candidatos do segundo turno à prefeitura de São Paulo tiveram quatro minutos para debater temas

Anna Satie, da CNN em São Paulo
16 de novembro de 2020 às 20:48 | Atualizado 16 de novembro de 2020 às 21:02

No primeiro bloco do Debate CNN nesta segunda-feira (16), os dois candidatos à prefeitura de São Paulo no segundo turno das eleições 2020, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), responderam a perguntas sobre a pandemia da Covid-19, padrinhos políticos e um eventual aumento de impostos em 2021. 

Os dois tiveram quatro minutos para responder a cada tema.

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Covid-19

Sobre o novo coronavírus, Boulos afirmou que tomaria medidas diferentes das adotadas pela prefeitura e apostaria em estratégias semelhantes às usadas em países que lidaram de maneira bem-sucedida com a pandemia, como a China e a Coreia do Sul. 

Covas disse que o gerenciamento da pandemia na cidade foi feito com base na realidade paulistana e citou a construção de dois hospitais de campanha, que teria ampliado a capacidade de atendimento.

A declaração foi contestada por Boulos, que questionou o motivo pelo qual esses recursos não terem sido usados para equipar hospitais fechados ou parcialmente abertos na cidade. 

"Basta saber o mínimo sobre obra pública, sobre o processo de licitação, para saber que não se termina obra em 15 dias em São Paulo ou em qualquer lugar do mundo", rebateu Covas, que disse que os hospitais de campanha ganharam tempo para ampliar a capacidade das instalações permanentes.

Lula e Doria

Os candidatos também foram questionados sobre seus padrinhos políticos. O ex-presidente Lula (PT) já declarou apoio a Boulos; enquanto o governador João Doria (PSDB) apoiará o antigo vice. 

Covas se desviou da questão e disse que o eleitor prefere saber do currículo e proposta dos candidatos. "Não se trata de debater quem tem o maior apoiador", declarou. 

Boulos disse que há diferença entre a relação que ele tem com o ex-presidente e a de Covas com o governador. "Quem foi eleito foi Doria, você era o vice. Doria abandonou a prefeitura e a cidade de São Paulo, usou a cidade de trampolim para sua carreira pessoal", disse. "Você não pode esconder sua origem política, como você foi parar no cargo que está hoje".

O prefeito disse que o rancor da eleição de 2018 não poderia afetar o pleito atual. O candidato do PSOL disse que o incômodo de Covas é porque São Paulo mudou de dois anos para cá. 

"Mais de um milhão de pessoas votaram com esperança, depositaram sonhos e não ódio nas urnas", disse. "Essa diferença faz com que Doria seja um peso na sua campanha, apesar de ter sido vice dele quatro anos atrás". 

Impostos

Ambos os candidatos disseram que não pretendem aumentar a carga tributária municipal em 2021. 

Boulos aproveitou o tema para falar da proposta de renda solidária, que repassaria valores a famílias de baixa renda, enquanto Covas enalteceu a política fiscal durante seu mandato, que cortou despesas e fomentou o investimento privado.

Bruno Covas e Guilherme Boulos em debate na CNN
Foto: CNN (16.nov.2020)