Para ministros do STF, inquérito dos atos antidemocráticos combateu fake news

Avaliação em conversas reservadas aponta que situação poderia ser pior se não fosse o inquérito dos atos antidemocráticos

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
17 de novembro de 2020 às 13:20
Prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília
Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Ainda que a invasão de um hacker no sistema da Justiça tenha levado particular desconfiança para o pleito deste ano, ministros da suprema corte avaliaram em conversas reservadas que a situação poderia ter sido pior se não fosse o inquérito dos atos antidemocráticos que, desde abril, combate a organização de protestos violentos e publicações na internet com dinheiro público.

Nesta terça-feira (17), a investigação voltou a prender o jornalista Oswaldo Eustaquio, que também está proibido de usar suas redes sociais. O inquérito também ficou conhecido por levar à derrubada de perfis de apoiadores do governo Bolsonaro no semestre passado. O processo é de relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

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Outro ministro do Supremo Tribunal Federal, ouvido pela CNN, classificou a investigação de "grande sacada" por se prevenir de problemas de origem enfrentados pelo inquérito das fake news - que também investiga a publicação de conteúdo na internet.

"As eleições fluíram com normalidade, considerando-se o que houve em 2018. Mentira em eleição sempre houve. Mas a coisa massiva dos disparos de mensagens, isso a gente não viu nestas eleições", disse. O reforço no monitoramento de notícias mentirosas adotado pelo Tribunal Superior Eleitoral também é visto como uma razão para isso.

"O inquérito dos atos antidemocráticos evitou despejar recursos que poderiam financiar 'mais um movimentozinho de rua'. Mostrou fragilidade do todo sistema", afirmou.

Recentemente o inquérito tem indicado movimentações, mas o conteúdo é sigiloso. Para ministros do STF, pode ser um sinal de que depoimentos estão ocorrendo.