De 25 capitais brasileiras, oito terão prefeitos autodeclarados negros

Ainda sem a votação de Macapá, das 25 capitais que já tiveram seus prefeitos eleitos, oito serão governadas por candidatos autodeclarados negros

Por Diego Freire, da CNN, em São Paulo
30 de novembro de 2020 às 02:41 | Atualizado 30 de novembro de 2020 às 03:10
Bruno Reis (DEM), novo prefeito eleito de Salvador (BA), durante coletiva no Wish Hotel
Foto: Tiago Caldas/Estadão Conteúdo


Ainda sem a votação de Macapá - adiada por conta do apagão que atingiu o estado -, das 25 capitais que já definiram seus prefeitos nas eleições municipais deste ano, oito terão prefeitos negros a partir da próxima legislatura. 

Todos eles governarão capitais do Norte e Nordeste e se autodeclararam "pardos" no registro do TSE. Nenhum dos eleitos em capitais se declarou "preto".

Apenas um desses prefeitos já havia sido eleito no primeiro turno: Bruno Reis (DEM/BA), que administrará Salvador. 

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Os outros sete venceram em segundo turno seus pleitos municipais. Quatro deles, em capitais nordestinas: Edvaldo Nogueira (PDT/SE), em Aracaju; Cícero De Lucena Filho (PRO/PB), em João Pessoa; João Henrique Caldas (PSB/AL), em Maceió; e Doutor Pessoa (MDB/PI), em Teresina.

Na região Norte, três prefeitos autodeclarados negros foram eleitos: Arthur Henrique (MDB/RR), em Boa Vista; David Almeida (Avante/AM), em Manaus); e Tião Bocalom (PRO/AC), em Rio Branco. 

No primeiro turno, 1.730 cidades elegeram prefeitos autodeclarados negros (32% do total), um aumento em relação a 2016 - quando os prefeitos negros somaram 29,2%

A proporção, porém, ainda segue distante dos 56,2% de brasileiros que se declaram negros ("pardos" ou "pretos") em toda a população.

Ainda segundo o TSE, as eleições municipais de 2020 tiveram a maior proporção e o maior número de candidatos negros desde 2014, quando a Justiça Eleitoral passou a coletar informações de tnia.

A proporção do número de candidatos que se declararam pardos e pretos nestas eleições foi de 50,04%, superando os 46,56% das eleições de 2018 e os 47,76% do pleito municipal de 2016. 

Em sessão administrativa no último dia 25 de agosto, a Corte Superior da Justiça Eleitoral decidiu que a distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda eleitoral gratuita na rádio e na televisão deveriam ser proporcionais ao total de candidatos negros que o partido apresentar para a disputa eleitoral.

O entendimento partiu do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu, ao finalizar um julgamento virtual no dia 3 de outubro, que essa regra deveria vigorar já nas eleições municipais de 2020.